Marília Ortiz: Uma retomada inclusiva

Crescimento abaixo de 3% ao ano desde 2014. Taxa média de crescimento anual de menos de 1% nos últimos dez anos. Investimento em queda, caindo 17% na última década. Mais de 14 milhões de desempregados, quase 6 milhões de desalentados. Quase 30 milhões de pessoas na pobreza.

Este é o pesadelo da economia brasileira, o que anos de má gestão, escolhas erradas e negligência frente ao maior desafio da nossa geração fizeram com o nosso país.

Os dados divulgados pelo IBGE ontem não deixam mentir: o IPCA de setembro fechou em 1,16%, a maior taxa para este mês desde o início do Plano Real. Chegamos ao patamar de uma inflação de dois dígitos pela primeira vez em cinco anos: 10,25% nos últimos doze meses. Segundo o IBRE-FGV, o crescimento anunciado para este ano (previsto em 4,8%) ainda é pouco frente a todas as perdas e a retomada tem ocorrido de forma desigual.


Isso não são apenas números em um papel. Representa menos comida na mesa das famílias, menos acesso à saúde aos nossos idosos, menos segurança aos cidadãos, menos possibilidades de crescimento às nossas crianças. A cena de pessoas em situação de rua disputando ossos de carne no Rio de Janeiro choca, entristece e personaliza algo que a economia vem apontando há algum tempo: estamos ampliando o abismo social dentro de um dos países mais desiguais do mundo. Segundo Relatório sobre a Riqueza Global do Credit Suisse, em 2020 quase a metade da riqueza do Brasil ficou concentrada na mão de 1% mais rico da população.

Niterói faz, há alguns anos, uma aposta diferente. Fizemos nosso dever de casa, aprendemos com erros do passado e pudemos nos preparar para momentos difíceis de forma ativa e responsável com a gestão organizada e as contas no azul. Quando a pandemia bateu à nossa porta, a cidade estava preparada. Sob a liderança dos prefeitos Rodrigo Neves e Axel Grael, atuamos ativamente no combate à pandemia, ouvindo a ciência, tomando medidas duras, mas necessárias e garantindo que a população fosse assistida nas suas necessidades. Investimos mais de 1 bilhão de reais em políticas de enfrentamento à COVID-19. Nenhum município fez mais do que nós.

O resultado foi positivo: 15 mil postos de trabalho foram preservados, mais de 50 mil famílias foram beneficiadas pelos diversos programas de auxílio, mais de 400 empresas contempladas pelos nossos programas de auxílio e/ou crédito facilitado a juros zero.

Com os primeiros avanços da economia da cidade e a cobertura de mais de 80% dos adultos acima de 18 anos com as duas doses da vacina, estamos prontos para sair na frente. Entendemos que é o momento da Prefeitura atuar para que a cidade cresça e retome suas grandes vocações de maneira responsável, igualitária e, sobretudo, inclusiva. É hora de, com todas as precauções e cuidados que a ciência exige, voltarmos à vida normal. E, por isso, lançamos esta semana o Pacto de Retomada Econômica.

Serão mais de 30 mil famílias beneficiadas a partir de janeiro de 2022, num programa histórico que coloca Niterói na vanguarda mais uma vez numa das políticas de distribuição de renda e de combate à desigualdade mais importantes do mundo, que é a renda básica.

O Pacto está dividido em 7 eixos de atuação – Empregada, Empreendedora, Promissora, Tecnológica, Social, Criativa e Sustentável – e irá investir 2 bilhões de reais em 38 projetos que podem ser consultados no site https://ofuturoeagoraniteroi.com.br/. Também estamos realizando uma consulta pública por meio do Colab (consultas.colab.re/pactoderetomadaeconomica) para ouvir as principais demandas da sociedade.

Três aspectos do nosso Pacto merecem destaque por serem fundamentais para a inclusão social e redução das desigualdades. O primeiro diz respeito aos vários investimentos em construção civil que têm por objetivo promover ações de geração de emprego e renda na cidade. Para isso, focaremos nossos esforços na realização de grandes obras públicas que irão garantir mais de 12 mil postos de trabalhos diretos e indiretos. Algumas obras históricas deverão sair agora do papel, como a revitalização da Orla Centro – Gragoatá, a reforma da Maternidade Alzira Reis, a construção de mais moradias populares, a reurbanização da Alameda São Boaventura e a Drenagem e Pavimentação do Engenho do Mato.

O segundo é o projeto Empreender Mulher da Coordenadoria de Políticas para as Mulheres (Codim) que focará atenção na inserção feminina no mercado de trabalho. Durante a pandemia, mais de 2 mil mulheres niteroienses perderam postos de trabalho, o triplo do que aconteceu com homens. O Empreender Mulher vem corrigir essa desigualdade. A proposta é capacitar mulheres nas áreas de tecnologia, empreendedorismo, inovação e construção civil. Criaremos ainda o Fórum de Mulheres Empreendedoras e um núcleo de Coworking, além de um programa específico de microcrédito para mulheres.


O terceiro é a Moeda Social Arariboia, que focará na população de maior vulnerabilidade social. A moeda social é o próximo passo dos programas de auxílio que foram criados durante a pandemia, como o Renda Básica Temporária. Com circulação restrita à Niterói, o objetivo da moeda social é estimular a prática de finanças solidárias, o desenvolvimento local e o combate à pobreza e à extrema pobreza. Serão mais de 30 mil famílias beneficiadas a partir de janeiro de 2022, num programa histórico que coloca Niterói na vanguarda mais uma vez numa das políticas de distribuição de renda e de combate à desigualdade mais importantes do mundo, que é a renda básica. Em seu último livro, “Vamos sonhar juntos”, o Papa Francisco defendeu o programa, dizendo que “reconhecer o valor do trabalho não remunerado para a sociedade é vital para repensarmos o mundo pós-pandemia. Por isso, acredito que seja hora de explorar conceitos como o de renda básica”. Niterói concorda e chegou a nossa hora.

Com esses e outros projetos que formam o Pacto de Retomada Econômica, tenho certeza que Niterói voltará a ser o que sempre foi: uma cidade acolhedora, sorridente, participativa, que sempre demonstrou preocupação com aqueles que mais precisam de nós e que nunca virou as costas aos seus cidadãos. Uma retomada econômica só é possível se pensarmos em todos e não esperando o bolo crescer para ser repartido. É nisso que acreditamos. O futuro é agora!

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