Maracanã recebe festa de encerramento dos Jogos Paralímpicos

O Maracanã foi o palco da cerimônia de encerramento da Paralimpíada, que marcou também o fim do ciclo olímpico no Brasil. Neste domingo (18), atletas das 160 delegações, que disputaram 22 modalidades, foram os principais convidados da festa e assistiram a todo o evento em espaços montados no campo. Nem a chuva que caiu no final desanimou o público presente. O governador em exercício, Francisco Dornelles, acompanhado da esposa Cecilia Dornelles; o governador licenciado Luiz Fernando Pezão; e a primeira-dama do Estado e presidente do RioSolidario, Maria Lucia Horta Jardim, acompanharam espetáculo.

Patrimônio do Rio e considerado o templo do futebol, o estádio recebeu um grande show com muitos ritmos, que foram do samba ao rock, do pop ao baião, da bossa nova ao funk. O objetivo dos responsáveis pela festa – Vik Muniz, Fred Gelli, Marcelo Rubens Paiva, Paula Mello e Fábio Arruda – foi prestar uma grande homenagem aos atletas e voluntários, além de convidar todo o público a ampliar os sentidos.

A cerimônia começou com o som do Mestre Batman e os Batuqueiros do Silêncio, percussionistas com deficiência auditiva; Armandinho, Andreas Kisser e Johnatha Bastos, que nasceu sem os dois braços e toca guitarra com os pés.

O hino nacional brasileiro foi interpretado pelo tenor Saulo Laucas, que nasceu com deficiência parcial da visão e aos três anos foi diagnosticado com autismo. E os Bombeiros do Batalhão do 3º Grupamento Marítimo (GMAR), de Copacabana, hastearam a bandeira do Brasil. A equipe colabora com o Projeto Praia para Todos, que ajuda a acessibilidade de cadeirantes para tomar banho de mar. O 3o GMAR também recolheu a bandeira paralímpica.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes entregou a bandeira paralímpica ao presidente do Comitê Paralímpico Internacional, Philip Craven, que a repassou para Tóquio, cidade-sede dos próximos Jogos.

Em seguida, Tóquio mostrou que está preparada para receber também a Paralimpíada, em 2020, pela segunda vez. A cidade sediou os Jogos em 1964. A apresentação, que teve como tema a “atitude positiva”, trouxe artistas com diferentes deficiências, como um dançarino e uma modelo amputados.

Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016, iniciou seu discurso homenageando o ciclista Bahman Goldbarnezhad, que morreu ontem durante uma prova da modalidade. Em seguida, ele ressaltou o sucesso da Olimpíada e da Paralimpíada. Ele agradeceu aos voluntários, parabenizou os atletas e desejou boa sorte a Tóquio.

“Missão cumprida. Realizados Jogos Olímpicos e Paralímpicos espetaculares. Este Brasil, que amamos tanto, mostrou ao mundo do que é capaz. Tudo começou com o sonho de tornar o Rio uma cidade olímpica. O sonho aconteceu. A melhor torcida do planeta é carioca. É do Brasil. Recebemos o mundo com calor humano, respeito e solidariedade. Terminados esta jornada melhores como nação e cidadãos”. discursou Carlos Arthur Nuzman.

Philip Craven, presidente do Comitê Paralímpico Internacional, agradeceu a todos os brasileiros que participaram dos Jogos, aos voluntários e ao Comitê Organizador. Ele também parabenizou a todos os atletas palímpicos. “Vocês mostraram que a atitude positiva, mesmo com deficiências, não tem limites. Vocês são agora heróis de futuras gerações de esportistas. Agradeço ao Rio de Janeiro, essa cidade maravilhosa”. disse Philip Craven.

Além do público presente no estádio, a cerimônia foi transmitida para diversos países de todo o mundo. Artistas brasileiros como Ivete Sangalo, Saulo, Gaby Amarantos, Dream Team do Passinho, Nego do Borel, Vanessa da Mata, Nação Zumbi e Céu, se apresentaram durante a festa, que terminou com um grande show, antes da chama paralímpica ser apagada.

Transporte e acessibilidade
A maior parte do público utilizou o transporte público para chegar ao Maracanã. A família da professora Monira Reis, de 31 anos e moradora de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, foi de trem para o Estádio. “Viemos de trem e não tivemos nenhum problema. Fomos muito bem orientados e chegamos rápido e sem dificuldades”, elogiou Monira, que estava acompanhada do marido Marcos Reis e da comadre Lucilene Soares.

Ela também aprovou a experiência paralímpica. “Assisti vôlei sentado e hipismo. Já conhecia as modalidades, mas aprendi muitas coisas, como a importância do silêncio nas arenas e os aplausos em libras. Foi uma experiência nova e muito importante”

A Estação Olímpica de São Cristóvão, a Estação Intermodal Maracanã e a Estação São Francisco Xavier foram os principais pontos de acesso para quem foi conferir a cerimônia de encerramento. Elas foram importantes investimentos do Governo do Estado em mobilidade urbana, assim como a modernização das estações ferroviárias olímpicas Engenho de Dentro, Deodoro, Vila Militar, Magalhães Bastos e Ricardo de Albuquerque, além da Linha 4 do Metrô, que liga a Barra da Tijuca a Ipanema.

Para receber os Jogos, as estações de São Cristóvão e Maracanã foram reformadas e passaram a contar com acessibilidade total. Em São Cristóvão, foram instalados três elevadores e três escadas rolantes, novo mezanino com área de acesso cinco vezes maior do que o anterior (passou de 610 m2 para 3.122 m2) e passarela de integração direta com o metrô. Além disso, as coberturas das plataformas foram ampliadas e foi instalado piso tátil. A Estação do Maracanã tem sete escadas rolantes e sete elevadores, além de acesso ao estádio por meio de uma passarela recuperada pelo Governo do Estado.

Balanço da Paralimpíada
O Brasil terminou os Jogos em oitavo lugar, com 72 medalhas: 14 de ouro, 29 de prata e 29 de bronze. Antes do início da competição, a meta prevista pelo Comitê Paralímpico Brasileiro era ficar entre os cinco melhores países. Apesar dos paratletas brasileiros terem conquistado mais pódios do que em Londres 2012, a colocação foi pior, pois foram menos ouros. Em 2012, o país ficou em sétimo lugar com 43 medalhas, sendo 21 douradas.

A modalidade em que foram conquistadas mais medalhas pelo Brasil foi o atletismo, com 33 no total. Na natação, foram 19 premiações. O nadador brasileiro Daniel Dias terminou a Rio 2016 como o maior medalhista no quadro geral, com quatro ouros, três pratas e dois bronzes. O atleta subiu no pódio em todas as provas que disputou. Outro destaque foi a conquista do tetracampeonato paralímpico pela Seleção Brasileira de Futebol de 5.

A primeira Paralimpíada na América do Sul bateu ainda outro recorde. Com mais de dois milhões de ingressos vendidos, os Jogos receberam o segundo maior público da história do megaevento, perdendo apenas para Londres 2012 (2,8 milhões), mas superando com folga Pequim 2008 (1,7 milhão).

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