Manifestantes desobedecem determinações e realizam carreatas

Apelidadas por muitos como manifestações “pró-vírus”, dezenas de pessoas desobedeceram as determinações das autoridades de Saúde, do Estado e da Justiça, e no fim de semana promoveram carreatas, no Rio (Zona Oeste), Niterói (Zona Sul), e também em outros estados, como São Paulo e Brasília. As orientações visando prevenir a propagação da Covid-19 foram contrariadas pelos manifestantes que foram para as ruas, usando inclusive carros de som que propagaram palavras de ordem de retorno ao trabalho, abertura de estabelecimentos, e chamando as pessoas à rua.

O Ministério Público do Rio havia prevenido anteriormente para o perigo e riscos de aglomeração de pessoas devido a propagação da Covid-19. Integrantes das carreatas afirmaram concordar com posicionamento do presidente Bolsonaro, e no fim de semana percorreram ruas dos bairros de Icaraí e Charitas. Perguntado sobre a manifestação realizada em Niterói, o comandante do 12º BPM, coronel Sylvio Guerra, informou que o batalhão atuou conforme as orientações superiores.

“A carreata em Niterói ocorreu sem aglomerações e tomamos todas as medidas determinadas pelo comando da corporação. Identificamos os organizadores e fizemos BOPM (Boletim de Ocorrência da PM). Os organizadores foram notificados quanto a não poder haver aglomerações”, resumiu, Sylvio Guerra.

Em recomendação expedida na terça-feira (14), assinada pelos promotores Reinaldo Moreno Lomba, Luciana Queiroz Vaz, Luciano Oliveira Mattos de Souza, e Augusto Vianna Lopes, a Justiça de Niterói, com base nos atos normativos estaduais e municipais referentes às medidas de contenção da Pandemia Covid-19, e sobre as informações obtidas de mobilização de pessoas na cidade para realização de carreata de cunho político, contrária às medidas de isolamento, recomendaram providências ao comandante do 12º BPM, ao comandante do 3º GBM do Corpo de Bombeiros, aos Secretários Municipais de Segurança Pública e de Ordem Pública de Niterói, em caso do descumprimento do decreto estatual.

A principal orientação foi a de usar “meios necessários” para impedir a aglomeração de pessoas, “adotando todas as medidas cabíveis a fim de cumprir as normas, inclusive, se for o caso, encaminhando aqueles que descumprirem os atos normativos à Delegacia de Polícia”. A Justiça aguarda um possível relatório sobre a aglomeração de pessoas em até 72 horas, mas enfatizou que não houve proibição da carreata.

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