Mais uma árvore centenária é retirada do Ingá

Geovanne Mendes –

A cena assustou e chamou a atenção de algumas pessoas que passavam pela Rua Presidente Pedreira, próximo a Igreja Nossa Senhora das Dores, no Ingá, gerando sentimento de revolta. Assim foi marcada a derrubada de mais uma figueira centenária no fim da manhã desta terça-feira (29) na Praça César Tinoco, na Zona Sul da cidade. O local, que é conhecido por ter um corredor arbóreo, vai ficar com mais um vão na paisagem.

“Poxa vida, menos uma árvore. Eu amo esse lugar, moro aqui há 25 anos e me preocupo com a manutenção que é feita por aqui. Tenho medo de no futuro derrubarem todas, com a desculpa de que estão doentes”, reclama um morador que preferiu não se identificar.

A Secretaria de Conservação e Serviços Públicos esclareceu que realizou a supressão de duas figueiras devido à inclinação de seus troncos, que promoviam risco aos pedestres. Antes de executar a supressão, a equipe técnica da Seconser tentou salvar as árvores, que foram monitoradas por cerca de nove meses, após passar por poda e limpeza da base. Como a inclinação não foi revertida, a árvore teve que ser removida. Foram plantadas 21 novas mudas de espécies nativas da Mata Atlântica na praça, através do projeto Verdes Notáveis. A primeira figueira foi removida em junho.

“É importante ressaltar que todos os procedimentos são acompanhados e orientados pelo biólogo responsável e as supressões só são realizadas quando a árvore apresenta risco iminente devido a comprometimento do seu estado fitossanitário”,completou a nota.

O especialista em plantas Jorge Carvalho, responsável pelo Sítio Carvalho, opinou sobre a situação. “As figueiras são plantas exóticas e foram muito plantadas por paisagistas europeus contratados para fazer paisagismo urbano no Brasil. Tem raízes superficiais e vigorosas que destroem calçamento, tubulação e etc”, comentou.

A bióloga Tássia Torres Furtado explicou que em alguns casos as árvores já estão mortas por dentro e só a casca a sustenta, o que pode causar acidentes. “Sobre o estado fitossanitário, algumas plantas parasitas podem comprometer sim a estrutura da árvore”, afirmou a especialista da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

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