Mais um estaleiro pode fechar nesse mês

Wellington Serrano

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, Edson Rocha, deve confirmar nesta terça-feira (07) que o Estaleiro BrasilAmarras, na Ilha da Conceição, vai encerrar suas atividades este mês. Se isso acontecer cerca de 150 funcionários devem ser demitidos. Segundo Edson, além da pouca demanda de trabalho para manter o estaleiro em funcionamento, tudo indica que a Petrobras deve buscar na China os acessórios e serviços de amarras, considerados como carro-chefe da empresa, que pode fechar as portas.

Operando desde 15 de maio de 1978 na cidade, o BrasilAmarras é único fabricante de linhas de amarração para a indústria offshore que opera em território brasileiro, tendo participação em quase 100% das principais unidades que atuam na Bacia de Campos. A unidade fabril está adequada para atender a demanda do pré-sal, aumentando consideravelmente sua capacidade produtiva, além de haver uma unidade dedicada a fabricação de acessórios offshore.

O representante do sindicato disse que uma manifestação pode ocorrer através de iniciativas dos próprios familiares dos trabalhadores se forem mesmo demitidos. “Estamos em reunião com a empresa e aguardando posicionamento da Petrobras. Nós somos contra as mudanças na política de conteúdo local propostas pelo governo golpista de Michel Temer, que quer implodir a indústria naval brasileira”, disse Edson.

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, contestou ontem que a Petrobras e o governo estariam tendo um prejuízo de US$ 5 milhões por dia de atraso da concorrência com as empresas estrangeiras, embargada por uma liminar obtida pelo Sinaval.

Segundo ele, a batalha do presidente da Petrobras, Pedro Parente, contra o conteúdo local levou a Petrobras a fazer uma nova investida na justiça contra a indústria nacional, em relação à licitação do FPSO de Libra.

“A intenção do executivo é seguir adiante com a licitação sem exigência fixa de conteúdo local, já que a estatal tenta junto a ANP um perdão ao descumprimento das exigências do contrato, alegando que os preços para a construção do navio-plataforma no Brasil seriam 40% maiores do que no exterior. O problema é que a Petrobras não esclareceu ao mercado nacional a origem dessa comparação e o Sinaval agora contesta o embasamento para essas afirmações”, realça.

Segundo dados do sindicato, dos 18,5 mil trabalhadores empregados nos estaleiros de Niterói em 2012, restam apenas 3,1 mil em sete empresas que ainda resistem. O número de postos fechados passa de 80% em apenas quatro anos.

Procurada, a BrasilAmarras disse que aguarda posicionamento da Petrobras para se pronunciar. Já a estatal, até o fechamento da edição, não se posicionou sobre o assunto.

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