Mãe de menino espancado no Caramujo perde a guarda da criança

A mãe do menino de apenas seis anos agredido seriamente pelo padastro na madrugada do dia 5 deste mês no Complexo do Caramujo, em Niterói, perdeu a guarda da criança, de acordo com a equipe do Conselho Tutelar do Fonseca. A mulher foi ouvida pela polícia civil na última quinta-feira à tarde e confirmou as agressões sofridas pelo filho. Já o padrasto e agressor confesso do menino, está para ser preso a qualquer momento. Policiais da 78ª DP (Fonseca) seguem agora somente no aguardo da expedição da ordem de prisão pela justiça.

Segundo agentes da unidade, o pedido de prisão foi pedido pelo delegado titular, Luiz George Rodrigues, no final da tarde da última segunda-feira. O menino segue internado e uma liminar foi expedida pela justiça para impedir o acesso do padastro à criança. De acordo com o boletim médico emitido no mesmo dia do pedido, o menino segue em estado de saúde estável, porém inspirando cuidados com a observação da equipe neurocirúrgica do Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama, devido a um trauma cranioencefálico recebendo um tratamento conservador. A criança está com uma paralisia no seu lado direito e tendo leves melhoras em hematomas espalhados pelo corpo, indícios dos maus tratos sofridos.

De acordo com o Conselho Tutelar, responsável pelo caso, ele segue sem previsão de alta. Segundo a Polícia Civil, o menino vem tratando também de uma subnutrição e ao lado da irmã mais nova de um ano irá para um abrigo indicado pelo juizado da infância. Nenhum familiar se disponibilizou para ficar com o menino. Os irmãos restantes da criança estão na casa de parentes.

“A menina mais nova, filha do casal, já foi acolhida. Após uma extensa pesquisa sobre a família externa do menino, por diversos motivos, nós propomos a Vara da Infância e da Juventude de Niterói essa medida de última alternativa, a do acolhimento institucional. A juíza Rhohemara dos Santos Carvalho a expediu no último dia 13. Qualquer procedimento a ser realizado pelo hospital deve ser noticiado ao juízo e o juízo irá avisar ao conselho tutelar para o reencaminhamento da criança. Há uma medida protetiva emitida contra o padrasto para impedir o acesso dele ao menino. Somente a mãe está autorizada a ver ele”, informou Paulo Afonso, integrante do colegiado do Conselho Tutelar do Fonseca.

Além da mãe criança, já haviam sido ouvidos nas investigações sobre o caso uma tia materna do menino, a avó do acusado e o mesmo.

O padrasto da criança confessou as agressões em seu depoimento prestado na delegacia, porém foi liberado. Durante a madrugada do dia 8 de julho, o homem informou aos agentes responsáveis pela investigação do crime sobre ter batido no menino sob efeito de cocaína e bebidas alcoólicas após uma discussão com a mãe da criança e que estava com receio de sofrer represálias por parte de
criminosos. Uma tia materna da criança também prestou depoimento na delegacia no dia anterior ao acusado e afirmou que as agressões ao sobrinho se tornaram frequentes desde o ano passado e que o cunhado estava jurado de morte.

Segundo o relato do padrasto em depoimento, ele e a mãe do menino são usuários de cocaína e depois de três dias usando a substância junto de bebidas alcoólicas e sem dormir o casal brigou e a mulher teria ameaçado ir embora de casa e deixar as crianças. Enquanto o casal discutia, a criança dormia em um quarto até ser acordado com um tapa forte no peito pelo padrasto e colocada de pé assustada, de acordo com o relato. Sendo empurrado entre o padrasto e a mãe, o menino recebeu socos do homem. Após ser colocado para dormir em um outro quarto pela mãe, o padrasto foi até o quarto onde a criança estava e, ainda de acordo com o próprio acusado, deu outro tapa no menino o puxando novamente para ficar de pé. Novamente a criança ficou sendo empurrada entre o casal até o momento em que recebeu um soco do padrasto e caiu no chão perdendo os sentidos. O acusado afirma ter tentado despertar a criança e pedido o auxílio de um vizinho para levar o menino junto da mãe para o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal) para ser socorrido. A cena foi assistida pela filha pequena do casal de um ano.

O padrasto contou também sobre ter recebido uma ligação anônima feita por criminosos em que era proibido de retornar para a localidade onde o crime aconteceu e que assim decidiu se esconder em uma casa abandonada em São Gonçalo. No dia anterior ao relato do acusado uma tia materna da criança prestou depoimento na delegacia após ser intimada por telefone, onde afirmou conhecer o cunhado desde a infância, sobre ele ser usuário de drogas ilícitas e bebidas alcoólicas, que estava com a irmã dela há cerca de quatro anos, sobre as agressões ao menino se tornaram frequentes desde o ano passado e que o cunhado ficou desempregado após o começo da pandemia e passou a ter mais tempo com as crianças. A tia da criança também relatou que a irmã contava sobre as agressões que sofria e que não prestava queixa por medo de ameaças feitas pelo companheiro. De acordo com a mesma o sobrinho sentia medo do acusado.

Segundo o acusado, o mesmo tem duas filhas frutos de um outro relacionamento e um com a atual companheira. Já a mulher, ainda de acordo com o acusado, possui quatro filhos sendo três de outros relacionamentos. A avó do homem por sua vez, relatou sobre o empréstimo de um carro seu usado pelo neto para se deslocar entre o hospital e uma boca de fumo e posteriormente para a casa onde ele se escondeu em São Gonçalo. A vítima chegou a dar entrada no Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, porém foi transferida em estado grave para o Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama. Diante da gravidade dos fatos, assistentes sociais do Azevedo Lima acionaram o conselho tutelar da região e o caso foi registrado na 78°DP (Fonseca). 

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