Mãe de menino espancado no Caramujo é intimada pela polícia

A mãe do menino de apenas seis anos agredido seriamente pelo padastro na madrugada do dia último dia 5 no Complexo do Caramujo, em Niterói, será ouvida pelos policiais da 78°DP (Fonseca) nos próximos dias. Os agentes intimaram a mulher por telefone e aguardam apenas pela alta da criança do Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama, para os esclarecimentos. Já foram ouvidas uma tia materna da criança, a avó do acusado, além do próprio suspeito. Ele confessou as agressões em seu depoimento prestado na delegacia, porém foi liberado.

Durante a madrugada da última quarta-feira, o homem informou aos agentes responsáveis pela investigação do crime sobre ter batido no menino sob efeito de cocaína e bebidas alcoólicas após uma discussão com a mãe da criança. Ele disse que estava com receio de sofrer represálias por parte de criminosos. Uma tia materna da criança também prestou depoimento na delegacia no dia anterior ao acusado e afirmou que as agressões ao sobrinho se tornaram frequentes desde o ano passado e que o cunhado estava jurado de morte.

Segundo o relato do padrasto em depoimento, ele e a mãe do menino são usuários de cocaína e depois de três dias usando a substância junto de bebidas alcoólicas e sem dormir, o casal brigou e a mulher teria ameaçado ir embora de casa e deixar as crianças. Enquanto o casal discutia, a criança dormia em um quarto até ser acordado com um tapa forte no peito pelo padrasto e colocada de pé assustada, de acordo com o relato. Após ser empurrado entre o padastro e a mãe, o menino recebeu socos do homem. Após ser colocado para dormir em um outro quarto pela mãe, o padastro foi até o quarto onde a criança estava e, ainda de acordo com o próprio acusado, deu outro tapa no menino o puxando novamente para ficar de pé. Novamente a criança ficou sendo empurrada entre o casal até o momento em que recebeu um soco do padrasto e caiu no chão desacordado.

O padastro afirma ter tentado despertar a criança e pedido o auxílio de um vizinho para levar o menino e a mãe para o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal) para ser socorrido. A cena foi assistida pela filha pequena do casal, de apenas um ano.

O padrasto contou também sobre ter recebido uma ligação anônima feita por criminosos alertando que ele estava proibido de retornar para a localidade onde o crime aconteceu, e por isso decidiu se esconder em uma casa abandonada em São Gonçalo.

No dia anterior ao depoimento do padastro, uma tia materna da criança foi ouvida na delegacia após ser intimada por telefone, onde afirmou conhecer o cunhado desde a infância. Ela confirmou que ele é usuário de drogas e bebidas alcoólicas, que estava com a irmã dela há cerca de quatro anos e que as agressões ao menino se tornaram frequentes desde o ano passado, acrescentando que o cunhado ficou desempregado após o começo da pandemia e passou a ter mais tempo com as crianças. A tia também relatou que a irmã contava sobre as agressões que sofria e que não prestava queixa por medo de ameaças feitas pelo companheiro. De acordo com ela, o sobrinho sentia medo do acusado. Ela informou ainda sobre o cunhado ter tentado retornar ao Complexo do Caramujo, porém, foi alertado por um conhecido sobre ele estar jurado de morte.

Segundo o acusado, ele tem duas filhas frutos de outro relacionamento e um com a atual companheira. Já a mulher, ainda de acordo com o acusado, possui quatro filhos sendo três de outros relacionamentos.

A avó do homem por sua vez, relatou sobre o empréstimo de um carro seu usado pelo neto para se deslocar entre o hospital e uma boca de fumo e posteriormente para a casa onde ele se escondeu em São Gonçalo.

A criança chegou a dar entrada no Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, porém foi transferida em estado grave para o Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama. Diante da gravidade dos fatos, assistentes sociais do Azevedo Lima acionaram o conselho tutelar da região e o caso foi registrado na 78° DP (Fonseca). Até a tarde do último dia 6 o estado de saúde da criança era estável. Procurada novamente pela nossa equipe de reportagem a Secretaria Estadual de Saúde informou através de nota que não conseguiu obter a informação sobre o atual estado de saúde da criança.

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