Mãe de menino espancado é presa por tentativa de homicídio do filho

Completou neste dia 5 de agosto um mês do crime brutal de espancamento do menino de apenas seis anos de idade cometido pelo padrasto no Complexo do Caramujo, em Niterói, e hoje os policiais da 78ª DP (Fonseca) prenderam Dayyana Francisca dos Santos, mãe da criança, e no entender da justiça, coautora do crime. O autor principal do ato, o padrasto da criança, segue foragido. O casal pode pegar até 20 anos de condenação de acordo com a polícia civil.

Na última segunda-feira, o menino finalmente teve alta depois de mais de um mês internado no Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama. Ele foi encaminhado pelo conselho tutelar do Fonseca para o mesmo abrigo onde já estava a sua irmã de um ano.

“O menino teve alta nesta segunda e está em um abrigo junto da irmã mais nova. Desde o crime foram realizadas diligências, colhidos depoimentos e diante da gravidade das lesões descritas no boletim médico da criança eu realizei o pedido de prisão preventiva no dia 20 de julho sendo atendido pelo Tribunal de Justiça do Rio no dia 27 de julho. Ambos os acusados responderão pelos crimes de tentativa de homicídio com agravamento por se tratar de um menor de catorze anos, lesão corporal, maus tratos e ameaça”, informou o delegado Luiz Jorge Rodrigues, titular da 78ª DP (Fonseca).

O titular explicou os motivos pelos quais autuou também a Dayyana, que já perdeu a guarda do filho na segunda quinzena de julho.

“A mãe responderá pelos mesmos crimes do padrasto da criança porque uma pessoa que fica inerte diante da situação responde pelos mesmos delitos aos quais não tentou impedir. A mãe era a responsável pela guarda e segurança da criança e não pediu por ajuda diante dos fatos”, declarou o delegado.

A mulher foi presa pelos agentes da polícia civil depois de prestar um depoimento no conselho tutelar do Fonseca. De acordo com o depoimento da mãe da criança prestado no último dia 16, o seu companheiro usava drogas com regularidade na frente das crianças. Ainda segundo a mãe do menino, se o seu filho se aproximava dela, o seu companheiro dava socos, chineladas, batia na criança com fios ou qualquer objeto próximo.

A mãe da criança afirmou que o companheiro se irritava facilmente com o seu filho e que se ela intervia nas agressões a criança ela apanhava juntamente com o filho. Ainda em depoimento a mulher declarou que mesmo sóbrio o homem agredia o enteado e que as agressões se tornaram frequentes desde o ano passado.

A mulher disse ainda em depoimento prestado anteriormente que toda vez que o filho a iria abraçar e beijar o seu companheiro intervia dizendo para ela não permitir porque a criança seria “uma peste dentro de casa”.

Na ocasião do crime, Dayyana afirmou que o companheiro puxou um pedaço de borracha para bater no menino, ela teria ido atrás para impedir quando foi empurrada. Após cair e levantar, ela teria ido até o filho para o colocar para dormir em um quarto. Ainda de acordo com o depoimento da mulher, neste momento o padrasto do menino pisou na cabeça da criança que dormia em um colchonete. A mãe teria levantado para defender o filho quando a criança foi arrastada pelo homem até a sala.

Segundo o depoimento da mãe do menino, ela foi ameaçada de morte a facadas neste momento e apanhou do companheiro enquanto a criança assistia a tudo. A mulher também afirmou em depoimento que o homem foi rapidamente na cozinha e ao voltar a sala deu socos violentos no menino que chegou a se urinar e desmaiou. A mulher afirma que neste momento o companheiro se deparou com a gravidade dos acontecimentos e ajudou a socorrer a criança.

Lesões gravíssimas

De acordo com boletim médico pedido pelos conselheiros tutelares do Fonseca a equipe médica do Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama, o estado de saúde do menino inspirou cuidados especiais em seu tratamento com o acompanhamento da equipe neurocirúrgica do hospital devido a um trauma cranioencefálico recebendo um tratamento conservador.

A criança chegou a ter uma paralisia no seu lado direito e possuia diversos hematomas espalhados pelo corpo, indícios dos maus tratos sofridos. Segundo a polícia civil, o menino também se encontrava em um estado de subnutrição. Nenhum familiar se disponibilizou para ficar com o menino e o mesmo foi encaminhado para o abrigo. Os irmãos restantes da criança estão na casa de parentes.

Padrasto é agressor confesso

O padrasto da criança confessou as agressões em seu depoimento prestado na delegacia. Durante a madrugada do dia 8 de julho, o homem informou aos agentes responsáveis pela investigação do crime sobre ter batido no menino sob efeito de cocaína e bebidas alcoólicas após uma discussão com a mãe da criança e que estava com receio de sofrer represálias por parte de criminosos.

Segundo o relato do padrasto em depoimento, ele e a mãe do menino são usuários de cocaína e depois de três dias usando a substância junto de bebidas alcoólicas e sem dormir o casal brigou e a mulher teria ameaçado ir embora de casa e deixar as crianças. Enquanto o casal discutia, a criança dormia em um quarto até ser acordado com um tapa forte no peito pelo padrasto e colocada de pé assustada, de acordo com o relato.

Sendo empurrado entre o padrasto e a mãe, o menino recebeu socos do homem. Após ser colocado para dormir em um outro quarto pela mãe, o padrasto foi até o quarto onde a criança estava e, ainda de acordo com o próprio acusado, deu outro tapa no menino o puxando novamente para ficar de pé. Novamente a criança ficou sendo empurrada entre o casal até o momento em que recebeu um soco do padrasto e caiu no chão perdendo os sentidos. O acusado afirma ter tentado despertar a criança e pedido o auxílio de um vizinho para levar o menino junto da mãe para o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal) onde a criança foi primeiramente socorrida. A cena era assistida pela filha pequena do casal de um ano.

O padrasto contou também sobre ter recebido uma ligação anônima feita por criminosos em que era proibido de retornar para a localidade onde o crime aconteceu e que assim decidiu se esconder em uma casa abandonada em São Gonçalo.

Segundo o acusado e agora foragido, o mesmo tem duas filhas fruto de um outro relacionamento e um com a atual companheira. Já a mulher, ainda de acordo com o acusado, possui quatro filhos sendo três de outros relacionamentos.

Além do casal foram escutados na delegacia do Fonseca uma tia materna do menino e a avó do acusado.

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