Mãe acusa hospital de negligência

O que era um momento de incerteza e medo conseguiu ficar pior para a cuidadora Luara Porto Duarte, de 23 anos. Ela está desde semana passada cuidando da filha, de apenas seis meses, que está internada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Getúlio Vargas Filho, o Getulinho. Mas após deixar a bebê na unidade para ir em casa buscar roupinhas para a neném, a volta virou um filme de terror. A criança foi encontrada com pernas e barriga com queimaduras graves, que teria sido provocadas após um banho. O caso foi parar na 78ªDP (Fonseca), que investiga o caso.

O hospital, que fica no Fonseca, na Zona Norte de Niterói, é referência no tratamento infantil mas não é isso que a Luara está vendo acontecer com sua segunda filha. A pequena foi internada na sexta-feira passada (14) após o equipamento de traqueostomia ter entupido. A menina respira por esse mecanismo desde os primeiros dias de vida já que nasceu com hidrocefalia e teve complicações na região da garganta.


Desde dia 14 a mãe acompanha a bebê, mas na terça-feira (18) Luara teve que ir em casa, no bairro Gradim, em São Gonçalo, pegar roupas da sua filha.

“Eu avisei para as enfermeiras que eu não ia demorar. Eu não deixo a minha filha e fico dia e noite com ela no CTI. Quando voltei vi que minha filha estava enfaixada e eu questionei o que tinha acontecido. Ninguém me respondeu até que um médico me disse que ela teve complicações na hora do banho. Quando vi minha filha sem as faixas eu me desesperei. Ela está com queimaduras graves na metade do corpo”, lamentou a jovem.

Luara disse que ainda questionou esse banho e o que causou as lesões.

“Minha filha estava tomando banho de leito e quando eu saí deram banho na água nela. Como? Me falaram que por ela ser hipotérmica ocasionou as queimaduras, mas eu sempre soube que minha filha é assim, sempre dei banho nela em casa e isso nunca aconteceu. Ela está sedada. Eu estou com o coração pequeninho. Já passei mal e desmaiei”, questionou.

A situação ficou mais grave pela falta de comunicação entre a mãe e a direção da unidade.

“Eu quero saber quem foi o médico que estava de plantão. Eu tenho direito de ver o prontuário da minha filha e não me falam nada. Tive uma conversa com parte da direção que pediu desculpa pelo ocorrido e ainda disse que isso nunca tinha acontecido. Mas eu estou achando tudo muito confuso e não está claro o que aconteceu”, esbravejou Luara.

O caso foi parar na delegacia e foi registrado na 78ª DP (Fonseca) onde está sendo investigado. Questionada, a Polícia Civil explicou que na quarta-feira (19) foi feita perícia de local e exame de corpo de delito e uma nova perícia estava marcada para ontem (20). A Prefeitura de Niterói também foi questionada sobre o caso e informou que a direção do Hospital Municipal Getúlio Vargas Filho, o Getulinho, informou que lamenta profundamente o ocorrido e está prestando toda a assistência necessária para a paciente e para família, além de contribuir com as investigações da polícia. O estado de saúde da paciente não pode ser divulgado devido ao sigilo médico. O prontuário já foi disponibilizado para a família e para a Polícia. Também foi aberta uma sindicância para apurar o fato, e a direção tomará as medidas cabíveis. Na quinta-feira (20) foi realizada uma perícia médica na paciente. A direção já identificou os profissionais que atenderam a criança e está ouvindo todos os envolvidos no caso no âmbito da sindicância. Também está sendo realizado um levantamento técnico e análise dos insumos e equipamentos utilizados no tratamento da paciente a fim de descobrir as causas do fato.

“Minha vontade era tirar minha filha desse hospital, mas ela não tem plano de saúde e eu estou com muito medo do que pode acontecer, ainda mais que o caso agora ganhou notoriedade”, finalizou a mãe da bebê.

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