Luz deve ficar mais cara em outubro

Anderson Carvalho –

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, disse que a seca deve levar ao acionamento da bandeira vermelha no mês de outubro. Atualmente, vigora a bandeira amarela. Para decidir formas de atender à demanda de forma mais barata e eficiente, integrantes do governo e de órgãos do setor elétrico vão decidir amanhã sobre o assunto. Não está descartada a possibilidade de acionar, pela primeira vez, o segundo patamar da bandeira vermelha, que adiciona R$ 3,50 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos. No primeiro patamar, a taxa da bandeira vermelha é de R$ 3 a cada 100 kWh. Na bandeira amarela, a cobrança é de R$ 2 a cada 100 kWh, e na bandeira verde, não há taxa extra.

“O regime hidrológico é desfavorável, o custo da energia é crescente e o custo de acionamento das térmicas mais caras, dentro ou fora da ordem de mérito, vai elevar o custo da geração de energia”, afirmou Rufino. Segundo ele, não há nenhum risco de desabastecimento, mas ressaltou que o custo da energia deve ficar mais caro nos próximos meses em razão do regime de chuvas, que não tem sido favorável há meses. De acordo com a Aneel, de janeiro a abril choveu 70% do esperado (reservatórios do Nordeste estão com 10% da capacidade). Menor do que em setembro de 2001, quando houve um apagão em várias regiões do país. No Sudeste (Furnas opera com 20% do volume útil, 13 metros abaixo do normal), a expectativa é terminar o mês com 24,8%.

O presidente do Instituto Acende Brasil – Observatório do Setor Elétrico Brasileiro, Cláudio Sales, também considera que não há ainda risco de desabastecimento. “O país tem uma variada matriz energética, invejada por muitos país. No último domingo, no Nordeste, a energia eólica gerou 5.599 megawats e as hidrelétricas, 1.508. Há ainda uma integração no sistema de transmissão, interligando as regiões. Temos também as termelétricas”, explicou.

Poucos geradores
Por enquanto, a longa estiagem não propiciou aumento na procura por geradores de energia, que costumam ser usados em caso de falta de luz. “Não sentimos ainda melhora no movimento nem na locação nem na venda de geradores. Vamos ver daqui para frente”, observou Carlos Vely, gerente de uma empresa de locação e venda de geradores. No comércio, as pessoas também não procuraram lâmpadas que gastem menos energia. “Por enquanto, o movimento continua fraco”, lamentou Thiago Alencar, vendedor de uma loja de luminárias no Centro de Niterói.

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