Luta diária para garantir o sustento

Wellington Serrano

Em tempos de crise e desemprego, nada como ouvir histórias inspiradoras de pessoas que deram a volta por cima e recomeçaram a caminhada após um grande “baque”. A equipe de reportagem de A Tribuna, após completar uma semana da reabertura do tradicional restaurante Steak House, foi conferir de perto a história dos animados funcionários que, unidos, mostraram que sempre há oportunidades para quem não entrega os pontos.

É o caso do açougueiro Antônio. Ele tem 20 anos de “casa” e foi um dos primeiros funcionários naquela fatídica sexta-feira passada, início de fim de semana e das confraternizações, a ver o restaurante amanhecer fechado. Desprevenido e desesperado, não tinha sequer o dinheiro da passagem para voltar para casa. “É, naquele dia os próprios funcionários me ajudaram com uma vaquinha de moedas”, relembra.

Do dia da reabertura até hoje o açougueiro disse que muita coisa mudou. “Pelo menos agora temos a confiança em alguma coisa, né?”, indaga Antônio ao se referir à garantia do emprego, dos direitos, do pagamento e da passagem do ônibus que são garantidos após um dia de trabalho.
O garçom Gabriel Bezerra Torres, com oito anos de casa, é considerado um dos novatos entre alguns com mais de 30. Ele disse que fica comovido com os incentivos dos clientes. “Pelo menos os frequentadores nos respeitam. E é por eles que seguimos unidos e fortalecidos para não deixar o barco afundar”, declara.

Há dois anos frequentando o local, o administrador Inácio Soares, de 42 anos conta que gosta da comida. “Ela é muito boa e o serviço dos garçons também é de excelência. Que bom que ficou aberto. Sou privilegiado em participar desse momento histórico do estabelecimento”, disse.
Mesmo depoimento do engenheiro Nilo Sérgio, de 63 anos, morador da região, que adorou ver os funcionários darem a volta por cima. “Um verdadeiro momento de superação. O Steak é um bom lugar, estarei sempre aqui”, comemora. Os funcionários querem um acordo e formar uma cooperativa, por enquanto, eles estão gerindo o restaurante pela união.

No entanto, o futuro do Steak House, que ficou conhecido pela variedade de carnes, pela cerveja sempre gelada e por ficar aberto até altas horas da madrugada, é uma incógnita. O funcionário Júlio Cesar Mello Policarpo, que trabalha de caixa e ajuda a administrar, o lucro do movimento que teve um aumento de 60%, disse que a prioridade é para pagar os salários atrasados.

“Estamos na luta vivendo um dia após o outro para manter a casa aberta, estamos buscando ajuda para negociar o aluguel e as dívidas que chegam todo dia. Estamos pagando o básico de acordo com o movimento. Só de gás pagamos essa semana o valor de R$ 6 mil, depois tem a água e a luz”, explica Júlio Cesar.

Segundo ele, os pagamentos dos funcionários estão em dia. “O que está atrasado são alguns 13º. Já fizemos os acordos de pagar assim que recebermos alguma coisa. Nossa intenção é fazer o dinheiro para dividir. E não adianta a gente querer fazer tudo e não conseguir”, declara o caixa.

Sobre o desaparecimento do senhor Elton, dono do Steak, que vinha enfrentando dificuldades para pagar os seis meses de aluguel atrasado na Gavião Peixoto, cerca de R$ 30 mil, Júlio Cesar disse que se ele aparecer será bem-vindo. “A casa é dele, por isso queremos sentar para resolver tudo e tirar esse peso das costas. Temos as dívidas trabalhistas para acertar e as contas antigas dele com os fornecedores, que são de milhões. Mas, não adianta ficar chorando o leite derramado. Temos quarenta funcionários que estão trabalhando dobrado para dar conta de um dia por vez, na esperança de que tudo se resolva logo”, conclui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

onze − 7 =