Lula diz que foi vítima da maior mentira jurídica em 500 anos de História

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou um pronunciamento nesta quarta-feira, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, Região Metropolitana de São Paulo. Ele falaria na terça, mas adiou seu pronunciamento após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, colocar em votação na 2ª Turma o julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro. O ministro Kassio Nunes Marques, entretanto, pediu vistas do processo, interrompendo o julgamento, que está empatado em 2 a 2.

No palco onde Lula falou estavam com ele o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad; o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, Guilherme Boulos (PSOL), e da presidente do PT, Gleisi Hoffmann; além de sua namorada, Rosângela da Silva, a Janja.

Segundo o ex-presidente, ele não tem mágoas pela condenação e pelo tempo em que permaneceu preso pela Operação Lava-Jato após a decisão do ministro Supremo, Edson Fachin, que anulou os processos da operação que condenaram o ex-presidente.

“Fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de História do Brasil. Fazem quase 3 anos que saí da sede desse sindicato para me entregar à Polícia Federal. Fui contra, porque era um inocente sendo preso. O sofrimento que o povo está passando é infinitamente maior que eu vivi na cadeia. Não há dor maior que não ter um café na mesa pra tomar, na hora do almoço não ter na mesa feijão com farinha. Mas se tem um brasileiro que tem razão de ter muitas e profundas mágoas, sou eu. Mas não tenho. Porque o sofrimento que o povo brasileiro está passando é infinitamente maior que qualquer crime que cometeram contra mim. É maior que cada dor que eu sentia quando estava preso na Polícia Federal”, afirmou Lula.

Com a decisão, na última segunda-feira, do ministro Edson Fachin, do STF, que anulou todas as condenações do ex-presidente pela Justiça Federal do Paraná relacionadas à Operação Lava Jato. Lula recuperou os direitos políticos e voltou a ser elegível.

“Eu sou agradecido ao ministro Fachin, porque ele cumpriu uma coisa que agente reivindicava desde 2016. A decisão que ele tomou tardiamente, 5 anos depois”, disse Lula, que classificou a força-tarefa da Lava Jato de uma quadrilha que tinha uma obsessão por condená-lo porque queria criar um partido político.

“O processo vai continuar, tudo bem, eu já fui absolvido de todos os processos fora de Curitiba, mas nós vamos continuar brigando para que o Moro seja considerado suspeito, porque ele não tem o direito de se transformar no maior mentiroso da história do Brasil e ser considerado herói por aqueles que queriam me culpar. Deus de barro não dura muito tempo. Hoje, eu tenho certeza que o Moro deve estar sofrendo muito mais do que eu sofri. Eu tenho certeza que o Dallagnol deve estar sofrendo muito mais do que eu sofri, porque eles sabem que eles cometeram um erro, e eu sabia que eu não tinha cometido um erro”, declarou o ex-presidente.

O ex-presidente chamou o presidente Jair Bolsonaro de fanfarrão e afirmou que o Brasil não tem governo, que a população precisa de emprego e não de armas, e defendeu a vacinação e as medidas de isolamento social. Lula prestou solidariedade às vítimas e às famílias, e pediu a Deus que leve a pandemia embora. E confirmou que vai tomar a vacina na semana que vem.

“Eu vou tomar minha vacina e quero fazer propaganda pro povo brasileiro: não siga nenhuma decisão imbecil do presidente da República ou do ministro da Saúde. Tome vacina. Tome vacina porque a vacina é uma das coisas que pode livrar você do Covid. Mas mesmo tomando vacina, não ache que você possa tomar a vacina e já tirar a camisa, ir pro boteco, pedir uma cerveja gelada e ficar conversando, não! Você precisa continuar fazendo o isolamento, e você precisa continuar usando máscara e utilizando álcool em gel”, afirmou.

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