Lula desmente compra de triplex

Wellington Serrano –

Após quase cinco horas de depoimento prestado ao juiz Sérgio Moro, na Justiça Federal de Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se dirigiu à Praça Santos Andrade, onde uma multidão o espera para o discurso sobre o interrogatório e como se posicionou frente às acusações da Lava Jato.

Centenas de militantes, movimentos populares e lideranças políticas estiveram reunidos desde a manhã desta quarta-feira (10) na cidade paranaense em gesto de apoio ao ex-presidente. Lula desembarcou por volta das 11 horas no aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, e retornou no início da noite à praça Santos Andrade, onde uma multidão esperava o seu discurso.

A primeira a fazer um discurso depois do depoimento foi a ex-presidente Dilma Rousseff, que apelou aos sentimentos, à sua história política, ao seu caráter e à sua trajetória para deixar claro que está sendo injustiçada no processo de democracia.

“Hoje, quatro décadas depois, não há prisão ilegal, não há tortura, meus julgadores chegaram aqui pelo mesmo voto popular que me conduziu à Presidência”. “Este é o segundo julgamento a que sou submetida em que a democracia tem assento, junto comigo, no banco dos réus”, enfatizou.
Já Lula, em tom mais duro, disse que nunca mentiria para sua militância e pediu respeito ao judiciário. “Respeito à democracia, o judiciário e a constituição e a única coisa que peço é que me respeitem também. Irei a todas as audiências que forem necessárias”, ponderou. O ex-presidente também fez um discurso eleitoreiro ao afirmar que está firme e forte na vontade de se preparar cada vez mais para as batalhas que virão pela frente. “Se a elite não tem competência de tirar o país deste buraco é um metalúrgico com primário até a quarta série é que vai consertar o país”, enfatizou.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depôs pela primeira vez, ontem, ao juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, em um julgamento que extrapolou os limites do tribunal e ganhou as ruas. Vários movimentos de esquerda, organizados na Frente Brasil Popular, estiveram na capital paranaense para mostrar apoio a Lula, enquanto defensores da Lava Jato espalharam pela cidade outdoors com os dizeres: “Seja bem-vindo. A República de Curitiba te espera de grades abertas”. Os dois grupos – os que apoiam Lula e os que apoiam Moro, se manifestaram sem nenhum incidente diante da Justiça Federal do Paraná.

O líder petista é acusado de ser beneficiário de um tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo. De acordo com denúncia da força-tarefa da Operação Lava Jato, o imóvel foi ofertado a ele pela empreiteira OAS como parte do pagamento de propinas referente a três contratos obtidos pela empreiteira junto à Petrobras. No mesmo processo, Lula também é acusado de ter recebido outras vantagens indevidas por parte da construtora, que teria arcado com os custos do transporte e armazenamento de seu acervo presidencial. Lula nega todas as acusações.

Trechos do Depoimento
O depoimento de Lula a Sérgio Moro teve como primeiro assunto o suposto tríplex que o ex-presidente teria no Guarujá. “A minha mulher comprou uma cota da cooperativa Bancop, a cota de R$ 195 mil foi comprada em 2005. Sobre o tríplex, não havia intenção de comprá-lo, nem no início e nem no fim”, disse Lula.

Lula disse que logo na primeira visita se deu conta de que não ficaria com o apartamento. “Era pequeno”. Além disso, não daria para ir à praia ali. “Como sou uma figura pública, só poderia ir à praia numa segunda-feira ou na quarta-feira de cinzas”.

Interrogado pelo juiz Sergio Moro sobre a visita ao tríplex do Guarujá, o ex-presidente Lula disse que visitou o apartamento a pedido de Léo Pinheiro, da OAS, e que este queria lhe vender o imóvel. “Coloquei uma série de defeitos no apartamento. O senhor sabe como é esse pessoal que quer vender. Fui lá só essa vez e não voltei mais”. Perguntado com quem tinha feito a visita, Lula disse: “Com a Marisa”. “Falei que ia olhar, mas nunca mais falei com ele”.

Em meio ao depoimento de Lula, seu advogado Cristiano Zanin interrompeu bruscamente para dizer que o juiz Sergio Moro estava fazendo perguntas repetidas. Fez isso de forma veemente e até indelicada. O juiz ouviu e serenamente disse: “Observação pertinente, mas continuarei a fazer perguntas”. Durante o tempo todo, Moro manteve-se calmo, sem alterar o tom de voz.

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