Luiz Antonio Mello: Ilha dos Amores

A ilhota fica ali ao lado da abandonada estação do catamarã de Charitas, projeto de Oscar Niemeyer que apodrece a céu aberto. Não encontrei uma explicação objetiva para o nome Ilha do Amores, mas mesmo que tivesse encontrado ia preferir falar das lendas que rondam aquele pedaço de pedra.

Há uns anos resolvi conhecer a tal ilha que provocava minha curiosidade quase patológica desde a infância. Apesar da água podre da Baía de Guanabara, mergulhei e comecei a nadar, uns 15 metros depois vi uma ratazana morta boiando bem perto, uma visão comum nos dias de hoje na areia da praia de Icaraí. Parei, vomitei e retornei. Peguei a moto e, voando para casa, tomei banho de álcool, Phisohex, Pinho Sol e o escambau.

A ideia era copiar a experiência de um amigo, sábio que infelizmente já morreu. Conversávamos longamente sobre a vida e seus símbolos. Ele havia nadado até uma ilha – só que na Polinésia. “Foi como uma meditação, com as cores do fundo do mar ilustrando, a música do sopro da brisa…”.

Não acho a Ilha dos Amores linda, se fosse não seria quase invisível para uma maioria. Mas se a água da Baía de Guanabara fosse minimamente limpa eu iria tentar essa tal quase meditação e o tema desta semana seria valores.

A sensação é de que cansei de ser garçom da humanidade, servindo do bom e do melhor e recebendo indolência e indiferença em troca. No tempo em que era agressivo a ponto de me chamarem de Luiz Antonio Mula era tratado com um lorde, banhado de manjar das deusas, cercado de baba ovos.

Mas foi só decidir deixar de ser Vadinho e virar Teodoro Madureira (de Dona Flor e seus Dois Maridos) gente boa, um “cara tão bacana”, “nossa, que bom samaritano”, “poxa que sujeito prestativo” me tornei um pária, um dejeto afetivo e existencial, como a ratazana da Ilha dos Amores. Resumindo, foi só andar a linha e o trem me matou.

Na minha quase meditação no tal nado imaginário até a Ilha dos Amores começo a admitir, por exemplo, que Lula e o Treva tem índoles siamesas. Só são valorizados e cultuados por causa de sua virulenta meliância. Se Lula fosse um santo, seria tratado como o que em minha adolescência era chamado de pele (referência a pele de rola), “hahahaha, cospe nele; hahahaah, pisa nele; hahahah passa a mão na bunda dele”.

Já o Treva, anão intelectual, cujo passado terrorista é tratado e comprovado neste livro seríssimo inclusive com gravações do julgamento no Superior Tribunal Militar (https://bityli.com/W3Hvh ) mostra o despotismo siamês que tem com Lula. Por isso, afirmo aqui, que ano que vem Treva e Lula vão estar juntos.

Lula inseminou dois salafrários, filhos que se lambuzaram de dinheiro público. Outra semelhança. O filho mais velho da ninhada do Treva botou o mosquetão pra fora no meio de um processo que o tornaria mais bandido do que todos os bandidos da luz vermelha juntos e pou!, na cara de pau comprou uma mansão de R$ 6 milhões, no agora batizado Condomínio das Rachadinhas, o mais luxuoso e caro de Brasília. Antes de virar filho de presidente e senador, tinha um Gol 1.0, hoje ostenta um Volvo XC 90 (custa R$ 350 mil).  

Um de meus mentores no jornalismo foi Elio Gaspari, com quem cruzava de vez e quando nos corredores do Jornal do Brasil, anos 1970. Domingo, ele fez um resumo da façanha:

“O doutor ganhou fama de empreendedor com uma casa de chocolates da Kopenhagen e, em 16 anos, fez 20 transações imobiliárias, muitas delas quitando parte dos pagamentos em dinheiro vivo. Filho do capitão Jair Bolsonaro, elegeu-se deputado estadual no Rio em 2002, aos 21 anos, e senador em 2018.

Flávio Bolsonaro descumpriu uma norma, explicitada por Tancredo Neves em 1963:

“É norma ética consabida que o governante não compra nem vende nada.”

Era pura sabedoria. Lula deu-se mal porque usufruiu o sítio de Atibaia e discutiu a compra de um apartamento no Guarujá. Juscelino Kubitschek foi muito mais longe, adquirindo um apartamento na avenida Vieira Souto.”

Fato é que o Brasil enaltece os quadrilheiros e faz bullying com os corretos, chamado de escoteiros, babacoaras e similares.

Diz a lenda que a Ilha dos Amores ganhou esse nome porque os índios copulavam lá, mas há uma outra versão garantindo que no final do Império um duque colocava escravas e amásias numa canoa e passava horas embolado com as moças na ilha. Desses encontros fortuitos teriam nascido três crianças.

Mais lendas. Quando decretaram o AI-5 em 1968, houve uma violenta caça as bruxas em Niterói. Um grupo de “comunistas comedores de criancinhas” conseguiu se esconder na Ilha dos Amores onde passou dias. Fizeram uma escala e um deles nadava até duas vezes por dia até Charitas para arranjar água e comida. Ia tudo muito bem até um iatista dedo duro estranhar o movimento e ligar para o Exército. Foram todos presos.

Há 40 anos havia uma campanha de trânsito cheia de slogans e um deles dizia “não faça de seu carro uma arma, a vítima pode ser você.” No Brasil de hoje eu escreveria “não faça de seu carro uma vítima, a arma tem que ser você”.

P.S. – A oca do rock é aqui: https://radiolam.wixsite.com/24horas

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