Livro revela o fim da operação Lava Jato. Quem matou, por que matou

Luiz Antonio Mello

A Lava Jato foi a maior operação anti corrupção já feita no Brasil. Foram centenas de acusados, quase 200 presos, entre eles o ex-presidente Luís Ignácio Lula da Silva, boa parte da cúpula do PT e outros nomes ligados ao banditismo político eleitoral como os ex-deputados do PMDB Eduardo Cunha (que presidiu a Câmara) e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, em cujo apartamento foram encontradas pela Polícia Federal malas com R$ 54 milhões em dinheiro vivo.

Graças a Lava Jato, Jair Bolsonaro (PL) foi eleito presidente justamente pregando o combate a corrupção e ao que chamava de “ruína” causada pelo PT. O Brasil chegou a eleição de 2018 dividido: petistas versus bolsonaristas e um terceiro flanco, os eleitores anti-Lula, indignados com a roubalheira na Petrobrás e outros atos ilícitos.

No segundo turno da eleição, Bolsonaro venceu com 55,13%, equivalente a 57.797.847 votos e Fernando Haddad, candidato do PT, chegou em segundo com 44,87%, que somaram 47.040.906 votos.

O primeiro “tiro” na Laja Jato foi quando o então herói nacional, mentor da operação, Juiz Sérgio Moro, aceitou ser ministro da Justiça e Segurança Pública de Bolsonaro. Demitiu-se da Justiça Federal em Curitiba e, apesar de inúmeros alertas, caiu na cilada de servir ao capitão presidente.

Em pouco tempo estava sendo humilhado publicamente pelo presidente e acabou se demitindo, ingressando melancolicamente pela porta dos fundos do limbo da história política brasileira. Bolsonaro rasgou todas as promessas de campanha, entregou o governo ao famigerado Centrão, fez e faz tudo que jurou jamais fazer. Ele se destaca como coautor do “assassinato” da Lava Jato.

Por isso, é fundamental a leitura do recém lançado livro de dois conceituados jornalistas, Aguirre Talento e Bela Megale que durante muitos anos se dedicaram a fundo à cobertura da Lava Jato, corrupção em altas esferas governamentais sobre corrupção no estado brasileiro.

Ao longo de 487 páginas, os autores escrevem sobre os bastidores inéditos da maior e mais polêmica operação de combate à corrupção do Brasil.

Eles apresentam:

Poderia ser um thriller, mas é a vida real. O fim da Lava-Jato conta a história da investigação que revelou um esquema bilionário de corrupção, ultrapassou as fronteiras da Justiça e se tornou um elemento determinante da política brasileira desde o seu início, em 2014. Ao prender políticos de diversos partidos e realizar ações com grande apelo midiático, a operação teve influência decisiva nas eleições de 2018 e moldou o cenário político do país.

Com base em uma pesquisa jornalística acurada, os jornalistas Aguirre Talento e Bela Megale, que cobriram a Lava-Jato desde seu início, mostram como a operação foi derrubada por uma conjunção de fatores que inclui desde a atuação direta do presidente Jair Bolsonaro no desmonte das instituições de combate à corrupção, até irregularidades cometidas pelos próprios investigadores e reveladas por diálogos vazados a partir de um ataque hacker.

Resultado de mais de cinquenta entrevistas concedidas aos autores e do acesso a dezenas de documentos oficiais, “O fim da Lava-Jato: Como a atuação de Bolsonaro, Lula e Moro enterrou a maior e mais controversa investigação do Brasil” é uma obra imprescindível para compreender o caos político dos últimos anos e o complexo jogo que se monta para o futuro do país.

Segundo Euler de França Belém a Lava Jato se tornou uma terra devastada tanto pela esquerda (leia-se Lula da Silva) quanto pela direita (presidente Jair Bolsonaro). O mais estranho é que sua queda contou com a participação de integrantes da cúpula do Ministério Público Federal e das mais altas instâncias da Justiça.

Deu-se uma conciliação pelo alto, para destroçá-la, da qual tem participado inclusive alguns jornais e revistas. Para a destruição ser completa, ou quase, construíram uma “teoria” de que Sergio Fernando Moro, ex-magistrado, e o ex-procurador da República Deltan Dallagnol são “vilões” e alguns políticos e empresários, que de santos não têm nada, foram “recuperados” por um pacto das elites políticas, financeiras e judiciárias.

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