Linhas de ônibus em áreas de risco podem ser retiradas de circulação

Raquel Morais –

A guerra do tráfico em comunidades de São Gonçalo, que já interfere na rotina dos trabalhadores, poderá prejudicar mais ainda os moradores de bairros como Jardim Catarina, Salgueiro, Boaçu e Palmeiras. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários de Passageiros de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac), Rubens Oliveira, afirmou que se não houver uma ação da segurança pública para garantir a segurança dos profissionais rodoviários, o sindicato vai tirar as 18 linhas de ônibus que circulam em área de risco no município. Os motoristas ficam expostos nas áreas de risco, muitos coletivos já foram alvejados e a situação gera todo um problema emocional para esses trabalhadores.

Um relatório divulgado pelo Sintronac apontou que problemas relacionados à violência e ao estresse lideram os atendimentos dos rodoviários no setor médico do órgão. Especialidades como psiquiatria, psicologia, neuropsiquiatria e cardiologista lideram o ranking das consultas. Em São Gonçalo esses atendimentos representam 90%. No ano passado, de 39.801 consultas, 11.487 foram por questões que envolvem a violência; e motoristas de linhas que rodam em comunidades, como Jardim Catarina e Salgueiro, por exemplo, estão mais propensos a esses problemas de saúde.

Um motorista de ônibus que preferiu não se identificar trabalha na linha 483 (Niterói-Jardim Catarina) e relatou que medo e ansiedade são sensações que fazem parte da rotina de trabalho. “Todos os dias nós não sabemos o que vamos enfrentar. O risco de assaltos e, principalmente, de entrar na comunidade na hora de uma operação é muito grande. Isso gera uma tensão que não tem como explicar”, pontuou o trabalhador.

“Vamos entrar em contato com as empresas de ônibus e estamos mobilizando os trabalhadores. Se não houver uma ação da segurança pública para garantir a segurança dos profissionais rodoviários, o sindicato vai tirar as linhas de ônibus que circulam em área de risco em São Gonçalo. A população terá que se descolar para outros pontos em segurança. Vamos avisar Ministério Público do Trabalho e Justiça do Trabalho sobre essa situação e aguardar os próximos direcionamentos dos órgãos”, afirmou Rubens Oliveira.

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