Liberação para dragagem de canal pode sair a qualquer momento

Raquel Morais –

A tão sonhada retomada do setor naval em Niterói, através da dragagem do Canal de São Lourenço e da cessão do imóvel do Terminal Pesqueiro Público, está mais perto de ser realizada. O secretário de Desenvolvimento Econômico de Niterói, Luiz Paulino Moreira, contou ontem que há 15 dias participou de uma reunião com diretores do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para apontar a necessidade da licença ser liberada o quanto antes. Ele confirmou que sentiu uma movimentação positiva do órgão estadual e que essa licença poderá ser expedida a qualquer momento.

O assoreamento do Canal de São Lourenço será de responsabilidade do Governo Federal, mas a Prefeitura está disposta a ajudar na realização da obra. Mas para começar as intervenções é necessária a liberação do estudo. “A reunião foi muito positiva e contamos a necessidade dessa licença ser liberada o quanto antes em função da empregabilidade de 10 a 15 mil pessoas no setor. Vai melhorar economicamente a receita do município e os empreendedores vão poder sair do marasmo que está hoje”, contou Luiz Paulino.

Após a emissão do certificado do Inea, o documento será entregue ao Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), que dará continuidade à execução do projeto. “Quando o projeto estiver nesse estágio vamos ver o que precisará efetivamente e a Prefeitura, se puder, vai colaborar. Na reunião eu senti que estamos avançando e percebi uma movimentação boa. Esse documento poderá ser emitido a qualquer momento. Estamos sempre em contato telefônico para saber as movimentações e o prazo de 2020 está mantido. Com a dragagem, Niterói vai voltar à atividade de reparo naval que sempre foi referência, atendendo navios de todo o mundo”, finalizou o secretário.

Um dos diretores do estaleiro Camorim, na Ilha da Conceição, João Guerra, frisou a importância desse passo para o município e para o setor naval. “Continua a mesma coisa e o Canal está ainda com muitos dejetos com pontos de cinco metros de profundidade e que vão chegar aos sete metros depois da limpeza. Vai facilitar o trabalho dos estaleiros e vai movimentar o setor pesqueiro com a qualidade do mar”, frisou. O secretário também comentou sobre o Terminal Pesqueiro Público de Niterói, no Barreto, na Zona Norte, que tem capacidade para 25 toneladas de peixe em mais de 7 mil metros quadrados. Ele disse que está aguardando a cessão do imóvel, que é do Governo Federal. “Estamos na fase contratual e esperando a transferência para colocar tudo para funcionar”, resumiu. A promessa é que o local vire também um reduto do peixe, com instalação de restaurante e bares, através de uma Parceria Público Privada (PPP).

O Inea foi questionado sobre o assunto, mas até o fechamento dessa edição não se manifestou. A Prefeitura de Niterói informou que aguarda a análise do Termo de Acordo de Cooperação Técnica para área do Terminal Pesqueiro ser cedida pela União à Prefeitura. Os documentos estão na Coordenação Geral de Planejamento, Orçamento e Administração, da Secretaria de Aquicultura e Pesca vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em Brasília.

O Ministério foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou até o fechamento dessa edição.

MAIS MUDANÇAS
Ontem também foi anunciado que está em produção um estudo para melhorar a segurança e navegabilidade da Baía de Guanabara, pela Marinha, Companhia Docas do Rio de Janeiro e terminais privados do Porto do Rio. Além dessa melhoria também poderá ser aumentado o calado dinâmico (altura da quilha de uma embarcação e a superfície), o que vai permitir navegação de embarcações maiores. Apesar da mudança ser de cunho operacional, e não da área naval, o setor em Niterói também será beneficiado. “Não deixa de ser um ganho para o setor, pois com mais embarcações aumentamos a quantidade de manobras portuárias, parte do serviço do estaleiro. Isso vai girar a economia”, finalizou João Guerra.

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