Levar marmita para o trabalho ainda é preferência de quem trabalha fora

As mudanças no consumo de alimentos, por conta das facilidades dos aplicativos de entrega de comida, mudaram obviamente o perfil de alimentação do trabalhador. Marmita, quentinha ou o famoso “PF” ganharam novos ares, denominações, mas não deixam de objetivar suas funções. Mas com tanta novidade no mercado, vale a pena levar comida de casa para o trabalho? É mais econômico comer ‘fora’? Especialista comentam sobre o tema que divide opiniões.

A consultora no setor de alimentação fora do lar, Galunion, divulgou uma pesquisa que aponta os hábitos e as preferências dos consumidores em todo o país. O levantamento mostrou que traz um detalhe sobre os hábitos de almoço em casa nas diferentes classes sociais, com preferência de 60% dos trabalhadores que preferem “trazer comida de casa feita na própria residência”, 33% preferem pedir delivery e comer no trabalho, 30% vão sair para se sentar e comer presencialmente nos locais, enquanto 28% irão efetuar as refeições no refeitório da empresa.

Segundo Nathália Royo, especialista em inteligência de mercado, enquanto a maior parte da classe C pretende reduzir os gastos com comida fora de casa nos próximos seis meses, com 56% das respostas, na classe A 49% dos consumidores pretendem manter os gastos atuais com alimentação preparada fora do lar. “Além disso, é possível notar um equilíbrio entre reduzir gastos, com 41%, e manter os gastos da alimentação fora do lar, com 47%, com relação aos consumidores da classe B. É nítido o posicionamento dos consumidores da classe C, que tem uma tendência maior em optar pela redução dos gastos, já que eles também têm os menores índices sobre planos para aumentar os gastos com alimentação fora do lar, com apenas 6%, ante os 12% da classe B e os 17% da classe A”, revelou.

A jornalista Luana Souza, 36 anos, é adepta da famosa marmita para levar para o trabalho. “Eu levo comida todos os dias para o trabalho. Acho que sai mais barato no final do mês, me alimento melhor com uma comida bem preparada. As vezes eu como na rua e sinto desconforto ou a comida é muito gordurosa. Prefiro levar minha comidinha todos os dias. Mas é claro que as vezes, isso acontece geralmente na sexta-feira, todo mundo pede um lanche ou uma comida diferente; aí eu entro na coletividade e peço também. Mas diariamente eu prefiro a minha marmita”, contou.

O mesmo acontece com o analista financeiro Wanderley Gomes, 30 anos. “Trago comida todo dia, acho muito caro comer fora, eu mesmo preparo minhas marmitas e agora com a malhação esse hábito, que era anterior a academia, se intensificou e se aperfeiçoou. Hoje em dia trago marmita e mais um lanche para comer na parte da tarde”, frisou.

Gilberto Braga

Mas o economista e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), Gilberto Braga, explicou que os pratos feitos estão mudando na cidade e os fornecedores, sejam em bares e restaurantes, seja de forma presencial ou por aplicativos, estão se adaptando para manter a clientela e repassando o menos possível o aumento dos custos. “Essa sensação de carestia também é percebida por quem prepara os alimentos em casa, uma vez que todos os itens aumentaram e ainda tem o reajuste do gás de cozinha. Por isso, nos últimos meses, decidir o que é mais vantajoso ficou mais difícil. Todos mexeram nos preços, os fornecedores de refeição foram forçados a aumentar o preço e estão mexendo no cardápio, diminuindo as porções e fazendo trocas de acompanhamento, para se manter com preços competitivos”, ponderou.

Na contrapartida de quem leva a comida muitas pessoas optam por pedir por aplicativos. O especialista em Finanças e Planejador Financeiro Marlon Glaciano aponta que comer na rua também tem suas vantagens: promoções, fidelização, descontos e cashback são alguns desses exemplos. “Quando pensamos em utilização de aplicativos, observo que se o consumo for constante não valerá muito a pena pois será difícil ter a possibilidade de comprar em quantidade reduzindo o custo. O momento requer inteligência e principalmente atenção as oportunidades e promoções em todos os aspectos”, reforçou.

Marlon Glaciano

Gilberto reforçou que para quem gosta de variar o cardápio e acaba cozinhando em casa todos os dias, fica muito caro e pode ainda ser mais barato comer na rua. “A refeição fora de casa se beneficia do volume maior e da compra dos gêneros no atacado, tendo uma condição de custos ligeiramente melhor a de quem compra quantidades menores nos mercados tradicionais.” substitui o final por favor”, completou.

Gabriel Silva, 32 anos, trabalha com telemarketing e disse que acha mais vantajoso levar marmita para o trabalho pela economia de dinheiro, mas não faz isso todos os dias. “Acho mais econômico fazer e levar já que dá para fazer uma quantidade maior de uma só vez. Porém, considerando o tempo gasto para fazer, o cansaço e também o aumento do preço dos alimentos, as vezes acaba sendo mais vantagem os aplicativos, já que eles normalmente oferecem muitos cupons de descontos, que podem baratear bastante”, finalizou.

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