Leitores adotam novo comportamento na hora das compras

Raquel Morais

Folhear o livro, sentir o cheio do papel e em algumas vezes molhar a pontinha do dedo na língua para ajudar a separar as folhas. Um ritual bastante clássico para os amantes da literatura, mas os apaixonados pelos livros também tiveram que se adaptar para comprar livros. Álcool em gel, máscara e agilidade na hora das compras são os novos hábitos que devem ser adotados. Parece que virar a página do capítulo ‘Pandemia’ está mais longe do que parece.

Quem é apaixonado por livro já ouvir falar no Carlos Mônaco, 78 anos, dono da Livraria Ideal, uma das mais tradicionais de Niterói, viu o movimento despencar nos primeiros meses do anúncio da pandemia do coronavírus. Mas a flexibilização para o ‘Novo Normal’ já está trazendo os leitores de volta para as prateleiras, principalmente para títulos que envolvam auto ajuda para tratar depressão e medo; além de títulos de psicologia e de religiões. “Estamos em fase de recuperação e acredito que vai tardar para normalizar. A leitura é uma higiene mental e estou muito ansioso para essa retomada o quanto antes. Enquanto isso não acontece eu vou fazendo o que posso para me proteger e proteger meus clientes que tanto amam tocar nos livros”, contou.

O álcool em gel é item obrigatório e já fica espalhado nas pilhas e mais pilhas de livros. “Essas medidas são para todos e o importante é se proteger”, completou Mônaco. O mesmo está acontecendo na Livraria Concursar, também no Centro de Niterói. O espaço é dedicado para títulos jurídicos e para entrar no estabelecimento, que também funciona como uma cafeteria, é preciso higienizar as mãos com o álcool. Além disso os livros que são manuseados pelos clientes não são devolvidos imediatamente para as prateleiras. “Nossos funcionários pedem licença e colocam os livros que foram manuseados no balcão e limpam com pano e álcool um por um. Eles que estão guardando os livros que não são comprados. Muitos deles são encapados com plástico e também facilita a higienização”, frisou o gerente Hugo Franklin.

A funcionária pública Débora Penha, 39 anos, entende justamente isso e teve que aderir aos livros digitais no momento da pandemia. “Eu não deixei de ler mas tive que começar a ler online. Eu não gosto e acho que cansa a minha vista além de ser algo que não me deixa relaxar. Eu acho que fico agitada pelo próprio equipamento eletrônico. Acho muito diferente da leitura do papel, mas para evitar contaminação essa foi a forma que encontrei”, finalizou.

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