Leilão da Cedae arrecada mais de R$ 20 bilhões

O leilão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) arrecadou R$ 22,6 bilhões pela venda de três dos quatro blocos que estavam disponíveis na Bolsa de Valores de São Paulo, na sexta-feira (30). Embora um dos blocos não tenha sido fechado, o faturamento ficou bem acima da previsão de R$ 10,6 bilhões esperados inicialmente. Ao todo, quatro consórcios vão administrar a distribuição de água e tratamento de esgotos por 35 anos, são eles: Aegea, Iguá, Rio Mais Saneamento e Redentor.

Após o fim do leilão, o governador em exercício no Rio de Janeiro, Cláudio Castro, destacou que o certame foi realizado na data prevista, se referindo às diversas tentativas judiciais e legislativas para suspender a disputa. “Esse leilão é um marco para o estado do Rio de Janeiro e nos dá esperança para um futuro melhor para o nosso povo. Um importante recado para quem deseja investir no Rio de Janeiro. Isso é segurança jurídica”

Paulo Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional, acompanhou o leilão e aproveitou para enfatizar que a concessão beneficiará a população, que hoje sofre com a falta de abastecimento. “Quem está ganhando aqui hoje são as pessoas mais pobres e mais humildes, que moram em áreas sem acesso ao saneamento básico. A maior tragédia do Brasil é a falta de saneamento básico, a falta de esgoto tratado, a falta de água tratada”, afirmou.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) esteve presente e foi vaiado ao chegar no local, preferindo não se pronunciar.

Quatro consórcios levam três blocos

A área de atuação da Cedae foi dividida em quatro blocos e leiloados separadamente. Cada um dos blocos abrangem uma parte da capital somada a um conjunto de municípios. A divisão foi para fazer que os blocos se tornassem mais atrativos para os investidores, tendo cada um uma área de potencial de arrecadação financeira.

O Consórcio Aegea venceu a disputa pelo bloco 1, pagando R$ 8,2 bilhões, 103,13% a mais que o mínimo exigido em edital. Ele abrange 18 bairros da Zona Sul do Rio de Janeiro as cidades de São Gonçalo, Maricá e Itaboraí, e ainda outras 14 municípios do interior.

Em seguida o Bloco 2 foi arrematado pelo Consórcio Iguá, com um lance de R$ 7,2 bilhões, 129,68% acima do lance inicial. Ele engloba 20 bairros da Zona Oeste do Rio de Janeiro e outros dois municípios.

O Bloco 3 foi declarado sem vencedor. Algo imprevisto pelo governo, uma vez que era o mais barato de todos, com um valor mínimo de R$ $ 908,108 milhões para 22 bairros da Zona Oeste da capital e seis municípios.

Fechando o leilão, o Bloco 4 foi arrematado pelo Grupo Aegea no valor de R$ 7,2 bilhões, 187,75% acima do mínimo exigido no edital, que era de R$ 2,5 bilhões. Este bloco conta com 106 bairros do Centro e Zona Norte do Rio de Janeiro e mais sete municípios.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acaba de chegar à sessão pública do leilão da Cedae e se posiciona ao lado do governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.

POLEMICAS – A realização do leilão se deu sob pressão de deputados que aprovaram um Projeto de Decreto Legislativo (PDL), aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que condicionava o leilão à renovação do Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Contudo, o desembargador Benedicto Abicair, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), deferiu liminar mantendo o leilão.

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