Lagoa de Piratininga: informações desencontradas e problemas longe do fim

Desde o início desta semana, a Lagoa de Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, está com um cenário triste. A mortandade de peixes vem chamado atenção de moradores e especialistas comentam o fenômeno, que é considerado comum no período de mudança de tempo. Além da interferência do clima, onde o vento é o protagonista do problema, a obstrução do túnel do Tibau, que liga a Praia de Piratininga e a lagoa, também pode ter contribuído para as centenas de animais mortos. O problema seria facilmente resolvido com a obra de desobstrução do túnel, mas um desencontro de informações pode atrapalhar ainda mais o meio ambiente, já que não há consenso sobre responsabilidade dessa intervenção.

O gestor do Sistema Lagunar da Prefeitura de Niterói, Luciano Paez, explicou que na semana passada o elevado aumento da temperatura do ar provocou elevação térmica nas águas da laguna.

“Isso provoca redução do oxigênio dissolvido no corpo hídrico, gerando assim a mortandade. Infelizmente é um fenômeno recorrente. O nosso edital de desobstrução do túnel do Tibau sairá assim que o isolamento for reduzido. Esta ligação entre mar e laguna é importante para a manutenção da qualidade da água em Piratininga. A coluna de água da laguna é bem pequena. Em média, variando de 20 centímetros a 1,5 metro. Então qualquer variação climática, virada de tempo e ondas de calor, podem desequilibrar este ecossistema”, contou.

O ambientalista Alex Figueiredo acredita que o fenômeno foi provocado pelo aumento dos ventos.

“Revolveu o fundo, subiu matéria orgânica, excesso de reprodução de fitoplâncton e redução de oxigênio”, resumiu.

Mas Luciano confirmou que a mortandade foi em pontos específicos e com baixo número.

“Só retiramos os que ficaram nas margens próximo do entorno. Eu faço vistorias todas as semanas. Estamos monitorando esta mortandade. Por conta de uma massa de alta pressão atmosférica estacionada esta semana, não teremos variação atmosférica, consequentemente este episódio não se repetirá”, completou.

IMPASSE

Conforme anunciado em A TRIBUNA no mês passado, a Prefeitura de Niterói já está com edital pronto para licitação de uma empresa para realizar a desobstrução do túnel do Tibau. A administração municipal vai custear o projeto que ficou em R$ 1,3 milhão. Por conta da pandemia do coronavírus o edital está momentaneamente suspenso. Pelo projeto a obra terá duração de seis meses. A informação foi confirmada pelo gestor Luciano Paez, no mês passado e na manhã de ontem. Mas a assessoria de comunicação da própria Prefeitura de Niterói informou em nota que em relação ao canal de ligação da lagoa com o mar, trata-se de uma obra realizada pelo Inea, sendo exclusivamente de responsabilidade do órgão estadual.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) foi questionado sobre o assunto mas não se manifestou. A Prefeitura de Niterói também comentou que Niterói é a 1ª cidade em saneamento no Estado do Rio de Janeiro, de acordo com a Abes e o Instituto Trata Brasil, com 96% de cobertura da rede coletora e tratamento. Toda Região Oceânica de Niterói já conta com rede coletora e tratamento de esgoto. Mas a administração pública não informou a quantidade de peixe retirado pela Companhia de Limpeza de Niterói (Clin).

No início de 2019 parte do túnel desmoronou e os sedimentos impedem a renovação da água, o que afeta dezenas de pescadores que usam a pesca como sustento. A obra do túnel foi feita pelo Inea e entregue em 2007 e cerca de 70 famílias vivem da pesca na localidade e a qualidade da água é fundamental para essa prática.

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