Jovem que dirigia carro em acidente é indiciado por homicídio culposo

Avança a investigação do acidente que matou os jovens Roberta da Costa Miranda Ribeiro, de 17 anos; Emmily de Souza Miranda, de 20 anos; e Gabriel Palmieri da Costa Gonçalves, de 19 anos, no final da noite da última quinta-feira (9), na Estrada Francisco da Cruz Nunes, no Cafubá, Região Oceânica de Niterói. O motorista Leonardo Moraes da Silva Pagani, de 19 anos, foi indiciado por homicídio culposo, mas a Polícia Civil ainda avalia mais provas para apurar se houve dolo eventual.

De acordo com o delegado Fábio Barucke, titular da 81ªDP (Itaipu), onde foi feito o registro da ocorrência, o médico que atendeu Leonardo após o acidente atestou que o rapaz estava com cheiro de álcool, no prontuário médico do rapaz. Cabe ressaltar que, na madrugada seguinte ao acidente, o profissional da saúde relatou à autoridade policial que o condutor estava com “hálito etílico”. Segundo o Barucke, este fato é suficiente para atribuir homicídio culposo ao rapaz.

JOVENS FILMAVAM PILOTAGEM

Ainda de acordo com o delegado, a equipe de investigação da 81ª DP conseguiu confirmar que os jovens estavam filmando o momento em que o carro passava pela pista da rodovia, sentido Região Oceânica, em alta velocidade. O delegado confirma que, no momento em que os amigos passavam por um trecho de subida, o automóvel estava a 115 km/h, podendo estar a até 150 km/h, no momento do impacto.

VAMOS MORRER”

Em uma das imagens analisadas pela polícia, chama atenção o momento em que uma das jovens, que não resistiu aos ferimentos, diz, em tom de brincadeira, a frase “vamos morrer” enquanto o veículo trafega em alta velocidade, Além disso, em um dos momentos dos vídeos, que foram publicados pelos próprios jovens, em redes sociais, Barucke afirma que é possível ver Leonardo com uma das mãos fora do volante, o que pode vir a caracterizar o dolo eventual.

DEPOIMENTO DOS SOBREVIVENTES

Raphael Dudjak Eres Guerreiro, de 18 anos, um dos sobreviventes, é aguardado para prestar depoimento ainda na manhã desta quarta-feira (14). Leonardo também seria ouvido, mas sua advogada apresentou atestado médico sob justificativa de que o jovem está apresentando delírios. Ambos foram socorridos, na madrugada do acidente, ao Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, Zona Norte de Niterói, mas já receberam alta e se recuperam em casa. A polícia também aguarda o laudo da perícia no carro para dar prosseguimento às investigações.

“Vamos tentar ouvi-los durante a semana. Estavam filmando sim. O médico atestou no prontuário que [o Leonardo] estava com cheiro de álcool ao chegar ao hospital”, afirmou Fábio Barucke.

EXAME DE ALCOOLEMIA

A investigação também já possui os laudos dos exames de necropsia, feitos nos corpos das vítimas fatais. Todas morreram em decorrência de múltiplos traumas. O delegado também confirmou que, até a próxima semana, deve ficar pronto o exame de alcoolemia feito pelo motorista. O laudo será confrontado com o prontuário médico, que apontou indícios de consumo de bebida alcoólica.

MARCAS DA TRAGÉDIA

Na manhã desta segunda-feira (12), marcas do acidente ainda poderiam ser encontradas no local onde três jovens perderam a vida, de maneira precoce. Marcas de sangue ainda estavam expostas no asfalto da pista sentido Cafubá, da Estrada Francisco da Cruz Nunes, antes da chegada ao Hospital Municipal Mário Monteiro. Além disso, fragmentos do carro, onde os cinco amigos estavam, também estavam espalhados pela vegetação que fica às margens da via.

O local é conhecido por abusos de velocidade, por parte de motoristas, principalmente no horário da madrugada. Um frentista, que trabalha no posto de combustíveis que fica poucos metros à frente do local do acidente, relatou que é normal veículos passarem em alta velocidade pela pista.

“Acidente aqui geralmente acontece mais de madrugada porque a rua está deserta e o pessoal vem de pé embaixo. Tinha um radar que foi desativado. Com o radar o pessoal segurava a onda por causa de multa”, disse o trabalhador, que preferiu não revelar a identidade.

Quem trabalha percorrendo ruas, estradas e avenidas, convive com o temor de se envolver em acidentes como o de quinta-feira passada. O motorista de aplicativos Maurício Guimarães aponta a falta de qualificação de diversos condutores como uma das causas para colisões.

“Acontecem sim [acidentes na região], mas o fato é que para você dirigir o carro tem que ter sinergia com o veículo. A pessoa tem que se familiarizar. Tem muitas pessoas que não tem qualificação para dirigir”, disse o motorista de aplicativos.

O ACIDENTE

O que era para ter sido mais uma noite alegre, de diversão, confraternização e risadas, terminou em tragédia para cinco jovens. Um gravíssimo e violento acidente de carro, no final da noite de quinta-feira, por volta das 23h30min, na Estrada Francisco da Cruz Nunes, no trecho da descida da serra que dá acesso à Região Oceânica no Cafubá, em Piratininga, resultou na morte instantânea três deles.

Eles estavam no automóvel, modelo Chevrolet Onix, que acabou destruído após capotagens múltiplas. A violência do impacto foi tamanha que as vítimas tiveram seus corpos arremessados para fora do veículo. Familiares das vítimas que não resistiram ao acidente estiveram, na manhã de sexta-feira (9), no Instituto Médico Legal (IML) de Niterói, que fica no bairro do Barreto, para os trâmites de liberação dos corpos. Muito abalados, a maioria preferiu não conversar com a reportagem.

Os poucos que toparam conceder declarações, resumiram em poucas palavras a tristeza provocada pelas perdas. “A Roberta era uma menina maravilhosa. Foi uma fatalidade. Os pais estão muito arrasados. Só a polícia vai esclarecer”, disse Paulo Cesar Soares, de 52 anos, padrinho da Roberta. “Nada vai trazer ele de volta. Mesmo que descubram o culpado”, resumiu Renata Costa, mãe de Gabriel. Os corpos das vítimas foram sepultados no sábado.

Vítor d’Avila

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