Jovem gasta salário de férias para ajudar cachorro abandonado

O amor pelos animais é algo inexplicável. Muitos tratam o pet como filho e dão toda a mordomia para que o bichinho se sinta confortável e amado. O trabalho voluntário de protetores independentes tenta suprir, para os animais abandonados, essa falta de um lar. Eles são pessoas comuns que trabalham, estudam, pagam contas e que, muitas vezes, mesmo sem dinheiro e sem tempo, se sensibilizam com o sofrimento de um animal e arregaçam a manga para ajudar. Foi o que a recepcionista Bruna Freitas, de 21 anos, fez.

Na sexta-feira (12) ela estava em um ponto de ônibus na Rua São João, no Centro de Niterói, quando encontrou um cachorro que parece ter se identificado com ela desde o começo.

“Eu estava no ponto, ele me olhou, falei com ele, e ele deitou do lado do meu pé. Eu não tinha nada na bolsa pra dar a ele, e estava esperando ônibus pra ir pra Itaipu. Meu ônibus chegou. Eu fui embora chorando porque não queria deixar ele. Três pontos depois eu desci do ônibus correndo, passei em uma loja de biscoito e comprei um de polvilho para dar a ele. Voltei correndo e vi ele indo atrás de umas crianças que iam atravessar a rua. Corri atrás dele para que ele não fosse atropelado. Consegui com que ele ficasse perto de mim ali na esquina da Marques Paraná. Dei o biscoito, mas ele mal conseguiu comer, estava muito magrinho e com a pata machucada”, conta Bruna.

Ela conta que sempre quis ajudar os animais de rua, mas nunca podia. Mas dessa vez, mesmo não podendo, o instinto e o amor da recepcionista falaram mais alto e ela não conseguiu abandonar o cachorro.

“Ele não era esperto na rua, sabe, não atravessava rápido nem olhando os carros. Ia acabar sendo atropelado. Mantive ele perto de mim e comecei a peregrinação pelos comércios locais para conseguir uma coleira. Consegui ajuda em um salão de beleza, as meninas me deram uma toalha e um moço me arrumou a coleira. Assim consegui chamar um carro pelo aplicativo e levar ele até uma clínica em Icaraí para fazer exames e descobrir o que ele tinha na patinha”, relata.

Bruna não tinha para onde levar o novo amigo, que chamou de Caramelo. Todo abrigo que ela entrou em contato já estava fechado devido ao horário. “Não podia levar para a minha casa pois já adotei três cachorros e um ainda fica separado dos outros porque é muito briguento. Tive que deixar ele internado na clínica para tomar alguns medicamentos e concluir os exames”.

Ela não desistiu de encontrar um local para o Caramelo ser abrigado. No dia seguinte, já pela manhã, Bruna entrou em contato com diversos locais, mas não encontrou nenhum que estivesse acolhendo animais. Devido a pandemia, muitos ficaram sem lar depois que o donos faleceram de covid-19.

“Eu fui na clínica em que deixei ele internado e quando cheguei ele já tinha conquistado a todos. Fez festa quando me viu. Ele é muito dócil. E quando estava lá, por sorte, um abrigo me respondeu e me indicou uma mulher que hospeda cães doentes e faz toda a reabilitação”, conta Bruna que descobriu, no resultado dos exames, que o novo amigo estava com anemia e a doença do carrapato.

Bruna conta que tudo isso só foi possível porque ela tinha acabado de entrar de férias no trabalho e recebeu o adiantamento do salário. “Gastei tudo com ele. Em dezembro não tenho salário. Mas valeu a pena. Ainda mais agora sabendo que ele está num lugar onde é bem tratado. E que tem agora a oportunidade de achar uma casinha pra ele”.

Agora o cachorro precisa de um lar. Segundo Bruna, ele será cuidado por essa mulher que o hospedou, e assim que ele estiver curado e vacinado poderá ser colocado para adoção. “Agora precisamos achar uma família. Eu queria ficar com ele, me apaixonei. Mas não tenho como. Vou divulgar nos abrigos”.

Bruna fez um desabafo e pediu ajuda para que os animais abandonados em situação de rua sejam mais bem cuidados e acolhidos.

“É triste ver que eles têm que dar sorte de achar alguém que ajude, alguém que dê comida. E os abrigos que tem estão cheios e sem condição nenhuma de manter eles com ração. Dependem das pessoas se sensibilizarem e doar. Acho legal as campanhas de castração grátis, vacina. Mas acho que devia ter uma forma de amparar esses que estão abandonados na rua, sem nada. Eu já era meio revoltada com essas coisas, agora fiquei mais ainda porque vi o quanto é difícil. Para complicar ainda mais, tem as pessoas que abandonando. Isso é crime, mas raramente vejo acontecer algo com quem abandona. Daqui a pouco começa a época de abandono, depois do Natal”, desabafa.

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