Jourdan Amóra: Vale a pena ler de novo – As sementes são boas II

Muitas sementes foram semeadas em Niterói, na área das Ciências Médicas, gerando bons frutos em meio àquelas que não tiveram raízes na variedade do nosso solo. E muito pouco se conhece da história da Medicina de Niterói e das grandes expressões no conhecimento da saúde e no semeamento de instituições para formar profissionais ou criar instituições para a ação coletiva pelo bem-estar das pessoas. E no presente, pouco se fala dos nossos valores que se dedicam ao sacerdócio da Medicina em Niterói ou brilham nos grandes centros médicos-hospitalares-universitários dos mais desenvolvidos países do Mundo.


Pouco se sabe da nossa Medicina no período do Império e anterior a ele, salvo às referências sobre a sabedoria dos nossos indígenas e demais homens do interior, que não contavam com professores ou centro de ensino, mas absorviam e aprimoravam os conhecimentos naturalmente adquiridos dos seus antepassados. De Niterói sabe-se que, além dos preventórios, o primeiro hospital público funcionou no alto do Morro que lhe emprestava o nome, acima do local onde, em 7 de fevereiro de 1931, foram centralizados os serviços da atual Faculdade de Medicina da UFF (Instituto Anatômico), idealizado nos anos de 1920 pelo gigantismo do Dr. Américo Oberlaender, mas tornado realidade pela ação de nomes como Antonio Pedro Pimentel, Vital Brazil, Sena Campos, Andrade Neves e outros.
Américo Oberlaender ficou notabilizado quando nos anos 1917/18 conseguiu reformar o Hospital São João Batista (1920) após enfrentar a batalha para debelar a gripe espanhola em Niterói. Ele, que era mestre, foi Hospital Paula Cândido, e, ao lado de nomes como Alcides Pereira da Silva e Antonio Pedro, criou a primeira Casa de Saúde de Niterói, com o nome do bairro Icaray, onde se situava.

Antonio Pedro Pimentel foi o primeiro brasileiro a descrever as características da dengue, isto em 1923. Ele não assistiu a inauguração do Hospital, então Municipal, que levou seu nome, inaugurado em 19 de janeiro de 1951, pois faleceu em 1950.
Os três filhos do casamento do baiano Antonio Pedro se destacaram na medicina: o anestesista Aydano de Almeida Pimentel, o cirurgião Francisco de Almeida Pimentel e o oftalmologista Paulo Cesar Pimentel. Em 1964 ao ser realizado o Congresso Internacional de Oftalmologia, no Rio, ele era considerado o quinto nome mais renomado do setor e era importante a sua presença, mas ele estava preso na DOPS-Niterói e não permitiram a sua ausência, nem com escolta. (Continua)

  • Republicado de 10 de junho de 2020

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