Jourdan Amóra: Os sem diplomas tornaram-se mestres no ensino superior

A inovação da obrigatoriedade de ostentação de diploma para habilitar quem desejasse militar na imprensa encontrou como grande dificuldade a inexistência de pessoal formado na profissão ou habilitado por curso superior para ministrar aulas aos pretendentes a vagas nas recém-criadas Escolas de Jornalismo ou de Comunicação Social.

No país da improvisação e do “QI” (Quem Indica) usou-se o recurso de contratar como mestres para a carreira, militantes tradicionais no jornalismo, como foi o caso do criador de uma improvisada agência de notícias no Estado do Rio, não acatado pelos colegas novatos ou veteranos como um vocacionado para a grandeza da atividade.

Já naqueles anos que culminaram com o ilegal Decreto-Lei 972\69, baixado pela Junta Militar, ecoava em Niterói o clamor contra o privilégio reservado para as elites e destinado refrear o livre pensamento e a liberdade de expressão, amordaçando os que se opunham às notícias geradas apenas pelos identificados com a notícia oficial.

“Não se pode exigir um diploma (de nível superior) para um artista plástico pintar um quadro, para um poeta escrever um poema…” – mensagem saída de Niterói e exposta no Encontro Nacional de Associações de Imprensa, em Brasília, onde uma plateia dominada por jovens nomeados “assessores de comunicação” reagiram ao combate à “reserva de mercado” que se criava para os grupos dominantes, defensores de fechamento da imprensa alternativa (“O Pasquim”,etc) e habilitados pelo “QI” do novo mercado elitista e ditatorial.

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