JOURDAN AMÓRA – OS CAMINHOS DA CONSTRUÇÃO DA VIDA (XVIII)

O município de Araçuaí era considerado a capital do norte de Minas Gerais com forte influência sobre os vizinhos, muitos dos quais adoradores de nomes de pedras preciosas, começando com o grande celeiro representado pela cidade de Minas Novas e seguindo com Turmalina, Berilo, Topázio, Carbonit, Pedra Azul, Diamantina e outras, sem se esquecer da religiosidade com nomes de Santos ou de símbolos da religiosidade como Capelinha e Ladainha. Já para Araçuaí, o significado é “terra das Araras”, para uns ou “Ouro só ali”, consignado por bandeirantes.

A região castigada pela eventualidade de enchentes ou de cíclicas secas marcantes. No curso do século teve um momento de registrar os recordes de frio a 1,8º graus centígrados e de calor alcançando até 44º graus. O recorde de frio foi registrado a 12 de julho de 1923 e o de calor, em outubro deste atual. O registro pluviométrico além dos 100ml/m ocorreu pelo menos em sete ocasiões. Numa delas as águas subiram 10m na área urbana plana e quando baixaram, foi uma dificuldade remover bois e cavalos que sobreviveram no alto do grande mercado municipal e grande coreto, palco cívico, musical e político da cidade desenvolvida para a realidade administrativa em 1871.

O gentio araçuaiense é de origem simples, altiva e valente. Sofreu influências dos indígenas, muitos escravizados pelos buscadores de ouro oriundos notadamente de São Paulo, além dos portugueses e espanhóis atraídos pelos efeitos do Tratado de Tordesilhas e evoluída para o amor com a chegada dos imigrantes oriundos da Síria e do Líbano, fugitivos das guerras e da opressão religiosa turca.

O panorama da cidade mudou com a construção da rodovia no seu ponto mais, seguida da ocupação de áreas altas pelas novas classes média e alta da população ampliada pelas suas atrações, sua fama e desenvolvimento.