JOURDAN AMÓRA – OS CAMINHOS DA CONSTRUÇÃO DA VIDA (XIV)

Os registros oficiais pouco esclarecem sobre a era dos nativos constituídos em aldeias dos indícios bororós e, mais tarde, no lado norte do rio Jequitinhonha, pelos bravos botocudos, originários da Bahia. Pouco foi descrito sobre a ocupação pelos bandeirantes sabedores das riquezas minerais da ampla região. Eram ‘exploradores de seres humanos e pioneiros nas agressões ao meio ambiente, episódios descritos no livro editado pelo governo de Minas Gerais, “O Município de Araçuaí”, em 1968, dentro das comemorações pelo centenário do seu autor.

Leopoldo Pereira, talvez tenha sido o pioneiro a difundir estudos sobre as consequências da devastação do meio ambiente e das transformações sociais. A vidente obra é de 1907, e ele foi autor de outros livros, além de tradutor de narrações sobre as viagens de Sain Hilaire.

A obra sobre Araçuaí integra o rico acervo nacional de “ A Tribuna”, ofertado em 1992, pelo estudioso calhauzeiro, Abdias Rodrigues. 11

O antigo arraial Calhau, nome do rio, foi ganhando importância e elevado à categoria de Distrito, por Lei Provincial de três de julho de 1857. Tornou-se Vila de Arassuay em primeiro 1o.de julho de 1871 e tornou-se cidade pela Lei 1870, de 21 de setembro de 1871.

A data é exaltada pela decisão de Luciana Teixeira, dona da Fazenda Boavista, de permitir a instalação de um núcleo das meretrizes que adentravam para a região em busca dos mineradores. Ela contrariou as normas do rigoroso padre Carlos Moura, que proibia a prática do lenocínio em nome dos bons costumes. (Continua)