Jourdan Amóra: As obras e serviços que as cidades precisam (XCV)

O impasse nos projetos da nova Lei decorre de duas tomadas de posição: A seriedade de uma visão de respeito aos direitos atuais e futuros para a preservação da qualidade de vida numa área de 134 km2; e a visão dos defensores da abertura de um novo “boom” imobiliário para atrair uma classe de alto poder aquisitivo desejosa de migrar para Niterói. As empresas cariocas, paulistas e mineiras não se enquadram num programa de oferta de unidades para reduzir o déficit de moradias populares.

As pessoas que constituem a força de trabalho indispensável aos melhores dotados na escala social, terão de morar longe dos locais de trabalho, sejam empregadas domésticas, porteiros, vigilantes, motoristas, eletricistas, comerciários ou pequenos empresários. Uma cidade sem uma classe de apoio deterioriza a qualidade de vida da população mais estável financeiramente. Chega de espigões, precisamos de moradia para todos e com a garantia de uma boa mobilidade. Não podemos deixar os mais pobres morando nas ruas ou em hotéis populares servindo aos “sem teto”.

Existem inúmeras sugestões de construção de casas populares a baixo custo, especialmente após o surgimento do “drywall”, como testaram empresários como os engenheiros Germinal Botino e Aldo Rossi.

Estamos empurrando a população trabalhadora para moradias distantes, como em São Gonçalo, em função do baixo custo dos terrenos e da amplidão do território gonçalense.

Na gestão de Moreira Franco, a Prefeitura construiu 1.100 apartamentos no Vila Lage. Hoje a MRV obteve licença para construir 4.500 apartamentos na mesma localidade. (Continua)

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