Jourdan Amóra: A questão dos mendigos

Em algumas cidades, especialmente nas turísticas, como a gaúcha Gramado, não existem mendigos em seus territórios. Preservando a imagem da cidade e autodenominando como possuidora de excelente qualidade de vida, a Prefeitura intercepta os pobres que lá chegam e se eles tiverem um endereço, são mandados de volta logo à chegada.

Em alguns grandes centros as prefeituras buscam se defender da precariedade da população de rua, alegando que os mendigos não são moradores da cidade, mas oriundos de municípios vizinhos ou do interior. Alega-se que muitos fogem de suas cidades onde ficaram desafortunados ou portadores de doenças mentais, são alcoólatras ou fugitivos decorrentes de variadas situações sociais. Mas há também os que moram nas ruas, em bancos de praças ou de rodoviárias para economizar passagens durante os dias de semana, voltando às suas origens só nos fins de semana.

Não existe um questionamento sério de cada municipalidade ou do conjunto dos governos para se enfrentar este deprimente caso de pessoas – e até famílias – morando sob marquises nas ruas. Nem mesmo se imagina que estas pessoas não tem acesso a locais adequados para, pelo menos, satisfazer as necessidades fisiológicas, tomar banho, ou beber água. Não existe uma efetiva política para exame de saúde e para ofertar locais modestos ou abandonados para que possam passar as noites. Muito menos para oferecer condições de socialização.

Esta gente abandonada é considerada pelos que tem uma vida estável, como ameaças à saúde ou a segurança pública.
Não há cumprimento dos deveres sociais pelas autoridades ou a permanente proteção dos que se dedicam à instituições que pregam o amor ao próximo e à defesa dos mais pobres e necessitados.
Gastamos muito dinheiro com suntuosos e omissos serviços públicos.

Em Niterói, imagina-se que a Secretaria de Assistência Social conte com os funcionários efetivos, comissionados ou pessoal contratado para serviços temporários, do que o número de moradores de ruas. O Estado, o Município e a União, em contrapartida, tem grandes e suntuosos prédios se deteriorando, com as portas fechadas.

*Republicado de 16 de janeiro de 2019

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