Jornalista lança livro sobre a ditadura em Niterói

No dia 1º de abril de 1964, depois das tropas do General Mourão Filho terem derrubado o Governo João Goulart, o deputado estadual Afonso Celso Nogueira Monteiro discursou nas escadarias da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), no Centro de Niterói, então capital fluminense. Era o começo da resistência na cidade ao golpe militar. O Ginásio Caio Martins, em Icaraí, foi o primeiro estádio nas Américas usado como presídio político. Esta história é lembrada no livro “Niterói na época da ditadura”, do jornalista Anderson Carlos Madeira de Carvalho, de 46 anos, a ser lançado no próximo dia 15 de agosto, às 18h30min, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Niterói, na Avenida Ernani do Amaral Peixoto, no Centro.

O livro conta como os “anos de chumbo”; impactaram a cidade e seus moradores. Assim como o restante da nação, vários niteroienses passaram a viver um período de terror. Já não era mais possível reunir três amigos na rua para um bate papo. Nem criticar o governo, tampouco falar de política. Todos passaram a desconfiar de todos. O clima era de medo. Professores, advogados, artistas, jornalistas, políticos e diversos profissionais com uma postura política atuante foram presos, perseguidos e torturados, além de terem a carreira interrompida. Estudantes universitários foram expulsos de suas faculdades.

Sindicatos foram invadidos e sofreram intervenção. Este livro é fruto de um trabalho de três anos, em que o autor ouviu sobreviventes daquele período e pesquisou em livros, jornais e revistas da época, além de consultar a biblioteca da Assembleia Legislativa do Rio e o arquivo da Câmara Municipal de Niterói. Teve ainda acesso aos relatórios da Comissão da Verdade de Niterói e o da Comissão da Verdade do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, além de documentos do antigo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).

A publicação é da Gramma Editora e o preço de capa é de R$ 60. “O livro surgiu após uma série de entrevistas que fiz entre fevereiro e abril de 2014, para o jornal A Tribuna, intitulada ‘Os sobreviventes de 1964’, com ex-presos políticos da cidade. Vi que tinha uma grande história em mãos e que seria esquecida rapidamente se fosse publicada apenas em jornal, que no dia seguinte, vira embrulho para peixe. No momento atual, não só quem mora em Niterói, mas, todo mundo, precisa saber o que aconteceu”, contou.

Nascido em Petrópolis (RJ), onde passou a infância e parte da adolescência, Anderson Carlos Madeira de Carvalho formou-se em Jornalismo na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), onde morou durante 30 anos. Hoje, mora no Rio de Janeiro. Com 22 anos de profissão, passou por diversos veículos, como os jornais diários O Fluminense e A Tribuna, ambos em Niterói, e em O Itaboraí, como repórter, além de ter sido produtor nas emissoras de televisão Vinde TV (Rio de Janeiro) e Canal 36 (Niterói) e assessor de imprensa na Associação das Empresas da Região Oceânica de Niterói, no Procon RJ e na Prefeitura de São Gonçalo.

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