Jogos de tabuleiros cada vez mais presentes

Se nos anos de 2000 os jogos de tabuleiros foram deixados de lados por conta dos computadores e jogos onlines, nos últimos anos o mercado começou a se aquecer, indo na contramão da crise que o país vive. Atualmente existem jogos para todos os gostos e cada vez mais pessoas estão deixando o conforto de suas casas para ir se reunir com amigos e rolar dados, jogar cartas e dar risadas. A venda de brinquedos movimentou R$ 6,8 bilhões em 2018 em todo o Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedo (Abrinq). Cerca de 10% desses negócios envolveram jogos de tabuleiros.

“Eu jogo desde a adolescência, tem uns cinco anos. Diferente de jogos online, aqui na mesa sentado com meus amigos eu tenho a interação, consigo perceber se eles estão se divertindo se estão bracos e esse lado a lado é muito mais divertido que jogos online. Nos jogos de computador e videogame, você está no conforto da sua casa, fica dentro de uma bolha, no boardgame, você precisa sair de casa, ir a algum lugar, encontrar pessoas e isso nos aproxima ainda mais”, contou Pedro Loureiro, de 18 anos.

Estima-se que no ano passado cerca de 400 novos jogos chegaram as prateleiras em 2017, um crescimento de 60% em relação ao ano anterior. Para Marco Antonio de Souza, proprietário de uma loja especializada em jogos de tabuleiro, Niterói é considerada uma das cidades mais geeks do Brasil. Por isso muitos ainda resistem e preferem os jogos offlines, como uma necessidade de se desconectar do mundo corrido que se vive no dia a dia.
“O clube, tem seis meses, mas já vemos que mesmo com a crise o mercado está grande, tem editora lançando três jogos por mês e isso aquece ainda mais o mercado. Aqui a maioria do público é de estudantes universitários, mas há famílias que vêm, pais que querem usar os boardgames como ferramenta para tirar seus filhos dos tablets e computadores. Nos jogos de tabuleiro há esse contato físico, olho a olho e isso é muito importante, tanto que 90% do nosso público é de clientes que foram e voltaram, porque se encontraram nesse mundo”, contou Marco.

De acordo com Cláudia Rodrigues, psicóloga e psicanalista, jogos de tabuleiro, independente do segmento, sempre fizeram parte das brincadeiras de muitas crianças e adolescentes, o que permite uma interação física e emocional com os demais jogadores, beneficiando o convívio social entre eles.

“Através deste tipo de jogo pode-se colocar em prática a criatividade e a imaginação dessas crianças e adolescentes, que geram diversos sentimentos e emoções diferentes para cada um, e eles acabam por aprender a lidar com essas questões, e além disso, também aprendem a respeitar limites e regras impostas além do jogo, pelos próprios jogadores. Já com os jogos online perde-se a questão social, embora ainda se tenha contato, não é mais o contato pessoal e sim o virtual, o que faz com que se perca questões emocionais importantes. Não há mais limites que não possam ser ultrapassados, afinal você tem tantas possibilidades de jogos e pessoas desconhecidas para jogar que a importância do sujeito singular se perde. Perde-se a importância do outro e acaba por se tornar uma jornada mais solitária”, esclareceu Cláudia, que completou falando sobre a importância das brincadeiras.

“Todo tipo seja jogos online, tabuleiro ou qualquer outro tipo que seja usado para divertimento são benéficos para as crianças porque são maneiras destas crianças se expressarem. Muitas vezes as brincadeiras e jogos das crianças e adolescentes dizem mais o que eles sentem do que o que de fato eles dizem de forma verbal, logo se faz muito necessário que pais e cuidadores fiquem atentos ao brincar de suas crianças”, finalizou.

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