Jogos de realidade virtual criados na UFF vão além da diversão

Anderson Carvalho –

Nada como aprender as matérias da escola se divertindo em jogos virtuais que podem ainda promover a inclusão de pessoas com necessidades especiais. Que tal andar de bicicleta em cenários como os Alpes Suíços em uma pista à beira mar, sem sair da academia? Ou jogar basquete de cadeira de rodas em uma partida emocionante? Isso tudo é possível em jogos virtuais desenvolvidos por alunos e pesquisadores da UFF no Media Lab, no Instituto de Computação, no Campus da Praia Vermelha, em Niterói. Criado há dez anos, é financiado pela empresa americana Nvidia, sediada no Vale do Silício, no estado da Califórnia (EUA). O laboratório é pioneiro no país no trabalho. Desenvolveu um site de jogos educativos que será adotado este ano por escolas de Niterói.

No site Jogue Casé (www.joguecase.com.br), um portal com 50 jogos educativos criado em 2015, os alunos podem responder a centenas de perguntas enquanto acumulam pontos e enfrentam desafios virtuais. Voltado a estudantes dos 8 aos 18 anos de idade, do Ensino Fundamental ao Médio. “Resolvemos fazer jogos que realmente estimulem os estudantes, que geralmente fogem dos jogos educativos clássicos, porque são considerados chatos. Incluímos avanços nos jogos quando eles acertam as perguntas, que são de disciplinas de suas séries. Vamos chegar a 80 jogos até o fim deste ano”, explicou Márcio Filho, de 30 anos, pesquisador da empresa carioca GF Corp Business, que orienta os trabalhos no laboratório.

Segundo Márcio, o site de jogos foi adotado em 2017 por 13 escolas do sistema Sesi no estado, com a participação de quatro mil alunos que jogaram três milhões de partidas e responderam a cerca de 750 mil perguntas até hoje.

“O objetivo é estimular o interesse pelos estudos, de uma forma divertida. A rede de colégios militares do Brasil, com unidades no Rio de Janeiro, Juiz de Fora, Brasília, Manaus e Recife vai adotar os jogos no segundo semestre. Estamos em conversas adiantadas com os colégios Plínio Leite, Alzira Bittencourt, Fórum Cultural e M3, todos de Niterói, que também deverão contratar o site ainda este ano. Em 2019 vamos procurar as escolas públicas das redes municipal e estadual”, citou o pesquisador.

Outro projeto pioneiro no país desenvolvido no laboratório é o de uma bicicleta, na qual a pessoa pode pedalar em cenários virtuais usando uma espécie de óculos, que o insere dentro de uma realidade em 3D. Ele começou a ser desenvolvido no início do ano pelo aluno de mestrado em Computação Gráfica Wesley Lopes de Oliveira, de 28 anos.

“A bicicleta é ligada por cabos ao computador e ligada a um programa que exibe os cenários. Estamos em fase experimental ainda e queremos fazer uma realidade virtual mista, com elementos reais dentro do cenário. Você pode pedalar em qualquer lugar, sem sair de casa e com toda a segurança. Vamos levar em breve o programa para as academias”, contou o estudante.

Inclusão – Outro projeto recente consiste em uma cadeira de rodas onde o cadeirante, com um capacete especial pode jogar basquete de cadeira de rodas, com se estivesse na quadra. Criado em 2016, ainda está em fase experimental e será apresentado em instituições que trabalham com deficientes físicos.

A inspiração para a criação dos jogos vem do projeto Jecripe (Jogos de Estímulos Criados para Pessoas Especiais), o primeiro game voltado para crianças com Síndrome de Down. Criado em 2009, com recursos da Secretaria de Cultura do Estado, o jogo hoje é traduzido em cinco línguas e já tem mais de 100 mil downloads, sendo aberto a quem quiser baixá-lo. “O jogo tem o objetivo de estimular habilidades cognitivas de crianças com a Síndrome de Down. Estamos com um projeto para ser avaliado no comitê de ética da Universidade Federal do ABC, onde sou professor, para avaliar se o jogo beneficia, além de crianças com síndrome, as que têm outras deficiências cognitivas”, explicou André Brandão, que elaborou o game quando estudava na UFF. O jogo está disponível no site: http://jecripe.wordpress.com. Lá, um fato curioso e inédito nos jogos digitais é o personagem principal, o Betinho, ser portador de Síndrome de Down. É indicado para crianças em idade pré-escolar, de 3 a 7 anos. Recebeu o Prêmio de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e o do II Encontro de Tecnologia Cidadã.

O UFF Media Lab é coordenado pelo professor Esteban Clua há dez anos e visa desenvolver novas tecnologias e pesquisas na área de mídias digitais, principalmente através de jogos, realidade virtual e combinações de cenários interativos.

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