João Fortes Engenharia entra em recuperação judicial com dívida de R$ 1,3 bilhão

O grupo de engenharia João Fortes entrou em recuperação fiscal após pedido da 4ª Vara Empresarial do Rio, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). A dívida da empresa, que tem mais de 63 companhias, do setor imobiliário, beira os R$ 1,3 bilhões. O objetivo é impedir o fechamento definitivo da empresa, que por conta da crise econômica desde 2013, vem amargando com dívidas e problemas com entregas de empreendimentos.

Segundo niteroienses que já fizeram negociações com a empresa os problemas são diversos. Por exemplo, em Niterói, na Estrada Fróes e em Charitas, alguns problemas financeiros foram motivos de atrasos na entrega das obras, até mesmo com interrupção da construção. Segundo nota do TJRJ o juiz Paulo Assed Estefan nomeou a empresa Preserva-Ação, para exercer a função de administrador judicial. O prazo para habilitação ou divergência aos créditos relacionados pelas devedoras é de 15 dias a contar da publicação do edital de deferimento da recuperação judicial. Estão suspensas por 180 dias todas as ações de execução movidas contra a companhia, que terá 60 dias para apresentar o seu plano de recuperação.

Uma delas é a fotógrafa Fabrícia Soares, de 42 anos. Ela conta que é uma das milhares de pessoas que têm problemas com a construtora. Após comprar um apartamento na Rua Joaquim Távora, em Icaraí, o atraso na entrega do imóvel fez com que a niteroiense pedisse o destrato do acordo de compra e venda.

“Eu vi que ia dar um problema grande e resolvi cancelar em 2015. Perdi meu dinheiro da entrada e algumas parcelas intermediárias e eu entraria no financiamento na entrega das chaves. Entrei na justiça desde então e só agora estou perto de solucionar esse problema. Pior que ter um apartamento que não sai da planta, é ter uma Justiça tão lenta”, lamentou.

A advogada especializada em Direito Imobiliário, Cristiane Guerra, explica o que é a recuperação judicial.

“Tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômica financeira do devedor a fim de permitir a manutenção da fonte produtora do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores promovendo assim a preservação da empresa sua função social e o estímulo à atividade econômica. O objetivo é fazer com que a empresa de que esteja em crise financeira não fechem as portas de vez e deixe de pagar os credores. Caso o plano não seja cumprido, o juiz pode decretar por sentença a falência da empresa”, frisou.

A João Fortes foi procurada pela reportagem de A TRIBUNA para comentar o caso mas não se manifestou até o fechamento dessa edição. No site da empresa uma série de esclarecimentos sobre a recuperação judicial está disponível para os usuários. Em uma das explicações a empresa explica os motivos que levaram a João Fortes a pedir Recuperação Judicial. Segundo informe (…) ‘a crise do setor gerou suspensão dos financiamentos bancários; deterioração do valor dos imóveis; queda nas vendas e distratos; descasamento entre as vendas e as dívidas com instituições financeiras, acarretando aumento do número de ações de execução e pedidos de falência por seus credores e, consequentemente, dificuldades de fluxo de caixa. Atrelado a tudo isso, a pandemia da Covid-19, que impossibilita a circulação de significativa parte da população e o funcionamento da indústria e do comércio, aumentará o desemprego e diminuirá a renda dos consumidores, gerando queda nas vendas de novas unidades. Com equacionamento das dívidas e a reorganização da empresa, espera-se superar esse cenário adverso com a continuidade das obras e a consequente entrega dos imóveis aos seus adquirentes’.

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