Itaboraí registra o primeiro caso suspeito do novo coronavírus

O número de casos suspeitos de infecção pelo novo coronavírus, o Covid-19, no estado do Rio de Janeiro caiu de 62 para 55, informou a Secretaria de Estado de Saúde (SES), nesta quarta-feira (04). No entanto, a Região Metropolitana, segundo o informe diário dos locais de residências dos pacientes, ganhou mais um caso, no município de Itaboraí. Os números continuam os mesmos desde a terça-feira em Niterói, que continua com oito casos suspeitos e São Gonçalo e Maricá com dois casos cada uma.

Segundo a pasta, os outros locais dos pacientes identificados foram: Rio de Janeiro (22), Petrópolis (3), Duque de Caxias (2), Macaé (2), Barra Mansa (1), Nova Friburgo (1), Resende (1), Valença (1) e Volta Redonda (1). Há ainda sete (7) casos de pacientes que residem no exterior e em outros estados brasileiros, além de outro (1) suspeito com local de residência em investigação.

Na tarde de ontem, o Ministério da Saúde e as secretarias de saúde de São Paulo (estadual e municipal) confirmaram um terceiro caso importado do novo coronavírus no Brasil. Trata-se de um homem colombiano, de 46 anos, que mora em São Paulo. Em fevereiro, o paciente visitou a Espanha, Itália, Áustria e Alemanha. Também está em investigação outro possível caso de coronavírus na capital paulista. Exames de contraprova estão sendo realizados para confirmar a amostra do possível caso. Trata-se de uma adolescente, de 13 anos, moradora de São Paulo. A paciente esteve recentemente em Portugal e Itália.

MUDANÇA NAS MISSAS

Algumas arquidioceses brasileiras estão orientando os padres para algumas mudanças nos rituais litúrgicos para evitar contaminações no caso do coronavírus. Apesar da Mitra de Niterói e Região Metropolitana não ter aderido ao movimento, fiéis já perceberam mudanças de comportamento dos líderes religiosos e da própria comunidade católica. O tradicional Abraço da Paz já é evitado em algumas paróquias e na oração do Pai Nosso, algumas pessoas já evitam dar as mãos. As mudanças de hábito estão, entre outras, como uso de máscara e álcool em gel, para evitar as infecções principalmente depois de dois casos da doença no Brasil (São Paulo). Na Região Metropolitana são 12 casos suspeitos: oito em Niterói, dois em Maricá e dois em São Gonçalo; de um total de 62 monitorados em todo o Rio de Janeiro.

O padre Marcelo José, pároco da Paróquia Nossa Senhora das Dores, no Ingá, disse que os fiéis devem tomar cuidado com o pânico que essa possibilidade da doença pode gerar.

“Não estamos em uma epidemia e as pessoas devem saber isso para não entrarem em uma paranoia. Estamos realizando as missas e não estou percebendo uma queda nos fiéis durante as celebrações. Mas durante a missa eu falo sobre o coronavírus principalmente para trazer paz nesse momento”, contou.

A dona de casa Kátia Silva, 50 anos, afirma que está apreensiva.

“Não sei quem não tem medo desse vírus chegar no Rio de Janeiro. Não acho que seja pânico. Eu acho que é medo de não termos estrutura na ‘cidade maravilhosa’ para tratar uma doença nova que tem pouco estudo. Vejo sim as pessoas com mais cautela nas missas do domingo. E não é difícil ver o uso do álcool em gel durante as celebrações”, contou.

O padre André Luís, atual pároco da Matriz de São Gonçalo, explicou que alguns rituais na celebração eucarística são obrigatórios e outros são opcionais.

“Dar as mãos para a oração do Pai Nosso é um costume local e opcional, assim como a “Paz de Cristo” e a forma da comunhão, que pode ser feita na mão e na boca em caso do fiel ficar em pé, e somente na boca no caso de quem optar receber a comunhão de joelhos. Quando tem algum episódio como o que estamos passando podemos orientar a comunidade mas ainda não percebi alguma mudança de comportamento”, explicou.

De acordo com nota da Arquidiocese de Niterói, a medida se dá devido aos casos suspeitos nas cidades e como forma de prevenção e combater a proliferação do coronavírus. As arquidiocese mineiras de Belo Horizonte, Uberaba e Juiz de Fora, e as nordestinas de João Pessoa e Rio Grande do Norte divulgaram comunicado aos padres e ministros que orientem os fiéis a receber a Eucaristia nas mãos e não diretamente na boca. A invés do abraço da paz, a orientação é buscar fortalecer o sincero sentimento de bem-querer em relação ao próximo. Na oração do Pai Nosso, no lugar de unir as mãos, o cuidado é que seja cultivado com mais intensidade o compromisso com a fraterna comunhão.

“Sobretudo a solidariedade com as comunidades que estão padecendo ou podem estar mais expostas. Além disso, colaborar com a vigilância sanitária e estar sempre atualizado, assim poderemos correr na frente e neutralizar os riscos deste vírus para a nossa população, especialmente os mais vulneráveis”, finalizou o Dom Roberto Ferrería Paz, membro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

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