Itaboraí pede desculpas em outdoor no Centro da cidade

Após toda repercussão com o caso de intolerância religiosa do pastor Felippe Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, durante o show de comemoração aos 189 anos de Itaboraí, o município instalou um outdoor na Avenida 22 de maio, que deverá permanecer durante 30 dias, como forma de retratação pública. Além do outdoor, a Prefeitura de Itaboraí precisa divulgar nas páginas oficiais de suas redes sociais (Instagram, Facebook e Twitter), o pedido de retratação também durante 30 dias.

Em caso de descumprimento das cláusulas do Inquérito Civil 028/2022, celebrado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo de Itaboraí, no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), o município terá que pagar uma multa diária no valor de mil reais, a contar do dia subsequente à notificação prévia da inadimplência.

De acordo com o documento emitido pelo TAC, a Prefeitura tem a obrigação de fazer a retratação através da seguinte nota oficial:

“O município de Itaboraí, cumprindo acordo realizado com o MPRJ (1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Itaboraí), em relação ao discurso feito pelo sr. Luiz Felippe Valadão de Azevedo, no dia 19/05/2022, durante o show de comemoração do aniversário da cidade de Itaboraí, vem esclarecer que é inviolável a liberdade de consciência e de crença. Cumprindo a Constituição da República, o Município se compromete em assegurar o livre exercício dos cultos religiosos e garantir a proteção aos locais de culto e a suas liturgias, razão pela qual não podemos falar em fechamento arbitrário de centros de umbanda, de locais de cultos de religiões de matriz africana ou de quaisquer religiões ou crenças. O município de Itaboraí registra que a nossa Constituição estabelece que ninguém será privado de seus direitos por motivo de crença religiosa e que é contrário a qualquer tipo de intolerância religiosa”

Na última semana, o MPRJ ajuizou uma Ação Civil Pública para condenar o pastor evangélico Felippe Valadão da Igreja Batista da Lagoinha, pelos ataques ditos por ele a religiões de matriz africana durante o show, em Itaboraí.

A ação pede que Valadão pague uma indenização no valor de R $300 mil por danos morais e que, também, faça uma retratação pública por meio de um vídeo com duração de 50 segundo a 1 minuto, se retratando publicamente quanto às falas de ódio e intolerância, divulgando o mesmo na página principal do site da Igreja Batista da Lagoinha e nas páginas oficiais de suas redes sociais, pelo período de 30 dias.

No show em comemoração ao aniversário de Itaboraí, no dia 19 de maio, o pastor da Igreja Lagoinha, falou durante a apresentação que os centros de umbanda deveriam ser fechados.

“De ontem para hoje tinha quatro despachos aqui na frente do palco. Avisa aí para esses endemoniados de Itaboraí: o tempo da bagunça espiritual acabou, meu filho. A igreja está na rua!!! A igreja está de pé! E ainda digo mais: prepara para ver muito centro de umbanda sendo fechado na cidade! Deus vai começar a salvar esses pais de santo que tem na cidade. Você vai ver coisas que você nunca viu na vida. Chegou o tempo, Itaboraí! Aquele espírito maligno de roubalheira na política acabou”, afirmou.

Diferentemente da Prefeitura, o pastor não acatou a ordem do MPRJ e postou apenas uma nota de esclarecimento nas redes sociais informando que não foi notificado formalmente e que foi mal compreendido.

“Não resta a menor dúvida que o breve discurso do pastor Felippe Valadãofoi mal compreendido ou está sendo deliberadamente deturpado”, é o que está em um trecho publicado na nota de Valadão.

A TRIBUNA tentou entrar em contato para ouvi-lo sobre o caso por meio de e-mails, telefonemas e mensagens, mas não obteve respostas.

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