ISP divulga primeiro Dossiê de Crimes Raciais

Um estudo de crimes raciais apresentado nesta quinta-feira (19) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) mostra que Niterói ficou em quarto lugar como a cidade que mais registrou ocorrência desse tipo no ano de 2019, foram 67. A capital, com 422, concentrou o maior número de vítimas, seguida pelo Interior do estado com 255 e a Baixada Fluminense com 100.

O Dossiê de Crimes Raciais foi feito com o objetivo de analisar e mostrar os crimes de injúria e preconceito de motivação racial, é a primeira vez que um estudo desse tipo é produzido por um governo estadual no Brasil.

Durante a análise dos dados, os analistas do ISP realizaram a leitura de cerca de 3 mil registros de ocorrência e constaram as ofensas verbais proferidas com mais frequência contra as vítimas de racismo no estado. Palavras como “macaca”, “macaco”, “negra”, “preto”, “preta” e “cabelo duro” foram as mais usadas pelos agressores. Aspectos que constroem o fenótipo negro, como cor da pele, e textura do cabelo, assim como religiões de matriz africana e a própria herança histórica da escravização, foram os elementos utilizados para a depreciação das vítimas.

De acordo com os dados de quase três mil registros de ocorrência confeccionados em 2018 e 2019 nas delegacias da Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro, em 42,9% dos casos, as vítimas não possuíam nenhuma relação com os autores dos crimes. A maioria das vítimas é mulher com idade entre 40 e 59 anos.

“O ISP se orgulha muito de lançar um estudo tão importante para ajudar a construir a sociedade que queremos. A elaboração desse Dossiê é importante não só para nortear os Poderes na criação de novas políticas para reduzir o número de casos de racismo, como também para aprimorar os instrumentos estatais que já estão funcionando”, afirma a diretora-presidente do ISP, Marcela Ortiz.

A delegada titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), Marcia Noeli, incentivou a denúncia dos casos.

“Para construir uma sociedade melhor, precisamos cada vez mais aprender com esses estudos e entender que a denúncia é de extrema importância para que os autores sejam punidos e, com isso, enfrentar esse mal”, disse.

Perfil da vítima e dos autores

Mais da metade das vítimas de racismo no ano passado eram mulheres (58,2%). Os homens representaram 39,7% do total. Ao analisar a idade, quase 1/3 tinha entre 40 e 59 anos (262) e 8,7% tinha até 17 anos (73). Segundo o Dossiê, 46,3% dos autores eram conhecidos das vítimas e 42,9% eram pessoas com as quais as vítimas não possuíam nenhuma relação. É importante ressaltar que cerca de metade dos autores desses delitos (45,8%) eram mulheres.

Os ambientes não residenciais foram locais com a maior incidência de ofensas (43,3%), seguido pela residência (27,1%) e pelo ambiente virtual (5,5%), ou seja, a internet.


O Dossiê Crimes Raciais completo pode ser acessado aqui

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