Isolamento social provoca melhora no meio ambiente na Região Metropolitana II

Após China, Itália, Espanha e vários outros países constatarem a melhora em vários segmentos do meio ambiente, no Brasil também há regiões que estão percebendo esses efeitos. Em cidades da Região Metropolitana, já são possíveis enumerar os benefícios do isolamento social para o meio ambiente. Especialistas apontam retorno de aves e animais marinhos na Baía de Guanabara, assim como a melhora na qualidade do ar.

O ambientalista Sérgio Ricardo Verde, membro-fundador do Movimento Baía Viva, contou com exclusividade para A TRIBUNA sobre o retorno da avifauna nos centros urbanos e da biodiversidade marinha às águas da Baía de Guanabara, assim como a melhoria da qualidade do ar nas cidades, neste curto período de quarentena provocada pela pandemia do coronavírus.

“Bastaram alguns dias de quarentena para as pessoas perceberem o retorno da avifauna em diversos bairros. Isso deve-se à redução significativa do número de automóveis nos centros urbanos que reduziu o nível de poluição atmosférica. O movimento tem recebido diversos fotos e vídeos com águas cristalinas e presença de tartarugas verdes e botos cinzas, espécies ameaçada em extinção.

Sobre as águas limpas em praias da região o especialista também explicou a identificação da maré oceânica, processo de hidrodinâmica da Baía de Guanabara através da renovação periódica das águas entre 15 e 15 dias com a autodepuração e redução significativa de navios e embarcações na Baía.

“A estimativa é de 10 mil navios e rebocadores da indústria petroleira trafegam anualmente na Baía. Além de riscos ambientais, vazamento de óleo, essas embarcações provocam um revolvimento no fundo do subsolo marinho, uma resuspensão dos sedimentos. Esses três fatores explicam nesse momento a presença da água mais transparente em diversos pontos”, frisou.

A Região também é uma das mais lentas de trânsito. Dados da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) comprovam que há uma perda econômica estimada em R$ 20 milhões por ano por conta da imobilidade urbana por conta de congestionamentos. 

“Esperamos uma volta da normalidade do velho modelo de desenvolvimento predatório que classificamos de progresso destrutivo. A necessidade de mudanças profundas do modo de vida das pessoas, abandonar os consumismos desenfreados e sem limite e ao mesmo tempo é necessária mudanças radicais no modelo urbano de envolvimento urbano e industrial. Exatamente essa opção econômica de um crescimentoexponencial sem limite que vem devorando o planeta, gerando essas crises ambientais e a proliferação de epidemias e pandemias como nós temos visto”, frisou Sérgio Ricardo.

MUDANÇAS POSITIVAS NO MUNDO

Na China a liberação de dióxido de nitrogênio (NO2) diminuiu 25% nos últimos meses no período da quarentena, por conta da diminuição da produção industrial. Na Itália os canais de Veneza estão cristalinos e com aparecimento de peixes, bem raros nos últimos anos. Outro exemplo é o País de Gales em que muitas cabras e bodes voltaram a andar livremente pelas ruas.

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