Intervenção Federal não alcançou seus objetivos, diz relatório

“Um modelo que não deveria ser repetido em outras situações de crise no Brasil”, é que o afirma o Observatório da Intervenção sobre a intervenção federal na área da segurança no Estado, em seu relatório final. Dentro das 40 páginas do relatório fica claro que houve uma migração dos crimes, para o interior e o leste fluminense, um exemplo é o roubo de carga que houve queda em todo o Rio de Janeiro (17,2%), mas a região da Grande Niterói e o Interior do estado registraram aumentos de +19,1% e 46,5%, respectivamente.

O Observatório da Intervenção acompanhou os nove meses que o governo federal assumiu a segurança do Estado, que tinha como objetivo frear a escalada da criminalidade, mas o relatório aponta que as foram escolhidas as medidas erradas. “A intervenção levou ao extremo políticas que o Rio de Janeiro já conhecia: a abordagem dos problemas de violência e criminalidade a partir de uma lógica de guerra, basea da no uso de tropas de combate, ocupações de favelas e grandes operações”, apontou o relatório.

O dos argumentos mais utilizados pela intervenção foi a baixa nos índices de roubo de carga em todo o Estado, porém o relatório mostra que houve uma migração para outras áreas do Rio de Janeiro (como interior e a Grande Niterói) e a mudança no tipo das ações dos criminosos, que não foram levadas em consideração. “Como se pode notar, o movimento de reduções consecutivas nos registros iniciado em março foi interrompido ao final do ano. Os três últimos meses registraram aumentos consecutivos. Além disso, o último trimestre de 2018 também superou as ocorrências do último trimestre de 2017 (+4,3%), revelando que as estratégias adotadas pela intervenção para o combate dos roubos de carga (operações ostensivas, em sua maioria) não foram eficazes na manutenção da queda obtida entre abril e setembro de 2018.

Neste período, enquanto os índices diminuíram no roubo de carga, os indicador estratégico de roubos de rua (somatório dos registros de roubo a transeunte, roubo em coletivo e roubo de aparelho celular) se manteve no mesmo patamar de 2017, com uma pequena elevação de +1%. A Capital e a Baixada Fluminense reduziram os roubos de rua em quase 2%, mas a região da Grande Niterói e o Interior registraram aumento de +13%.

A conclusão do observatório é que “ [a Intervenção Federal] vendeu como novas velhas “soluções”. Uma tentativa cara e inócua de mudar um contexto complexo, usando táticas antigas, ao invés das reformas estruturais e políticas inovadoras que seriam necessárias. É, claramente, um modelo que não deveria ser repetido em outras situações de crise no Brasil.”

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