Intervenção divide opiniões e multiplica expectativas em Niterói

Augusto Aguiar –

A intervenção federal na segurança do estado está multiplicando expectativas e dividindo opiniões sobre a possível (ou não) eficácia de sua atuação. A divergência reside até mesmo entre especialistas, passando por trabalhadores sem formação liberal e até mesmo entre a própria polícia em Niterói. Há quem seja enfático ao afirmar que a intervenção não será bem-sucedida e existe muita gente que acredita fielmente na velha máxima “pior do que está não pode ficar”.

A interação entre as forças policiais é de suma importância para o êxito da intervenção na Segurança do estado. Esse é posicionamento, por exemplo, do advogado criminal e presidente da Comissão Anti-violência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Niterói), Ênnio Figueiredo Junior. Para ele, a intervenção deve trazer consigo ações na área social, voltadas para as comunidades. “A intenção é válida desde o momento que o estado não tem como conter a escalada da violência. Entretanto, têm que ser respeitadas as normas da Constituição e as leis que estão abaixo dela. Tem que haver um respeito ao estado de direito, uma simbiose entre Estado, Federação, e União. É necessário o trabalho em sintonia em prol da sociedade. Precisamos deixar algumas coisas de lado e agir em prol da sociedade fluminense. A violência como está não tem como o estado suportar, mas repito: tem que haver respeito à Constituição. Em Niterói essa ação também obterá êxito desde que haja essa interação entre nós e as Forças Armadas. É muito importante em meio a isso, uma política voltada para o Social, a Educação, o Lazer. É preciso haver um choque social nas comunidades, pois é lá que são os locais que mais carecem dessa política, com o risco de quando a intervenção terminar, voltarmos ao que éramos, porque não se trabalhou na causa”, declarou.

“Acho boa ideia ter os militares nas ruas. Quero saber até quando eles vão ficar fazendo essa proteção. Soldado tem que ficar na rua e correndo atrás do bandido. Acho que é um desperdício eles ficarem varrendo pátio e comendo dinheiro do Governo”, comentou o sapateiro Nei Silva, de 54 anos.

“Esse Exército de hoje não tem capacidade de estar na rua. O da minha época tinha esse gabarito. Acredito que a corrupção é maior do que se apresenta e por isso eles estarem na rua não representa muita coisa”, explicou o escriturário Paulo Roberto Sampaio, de 76 anos.
Enquanto a intervenção na Segurança Pública não se consolida, e as opiniões se confrontam e as ocorrências são registradas, com casos de roubos de veículos, a transeuntes, homicídios, tráfico e outros delitos na cidade, alguns registrados em câmeras de segurança, por exemplo. Pelo menos desde o dia 31 de janeiro, moradores de quatro bairros da Zona Sul de Niterói vêm sofrendo com ataques de quadrilhas que estão rendendo e roubando transeuntes e motoristas, sem tomarem conhecimento se a região está ou não com policiamento intensificado. Os roubos registrados em câmeras de segurança ocorreram em pelo menos quatro bairros quase que diariamente, em Icaraí, Jardim Icaraí, Santa Rosa e São Francisco gerando muita apreensão e incerteza.

“A minha expectativa não é otimista. É pior do que mudar seis por meia dúzia (…) Até agora, apesar de terem gastado cerca de R$ 300 milhões na comunidade da maré por mais de um ano, aqueceu a panela de pressão sem produzir resultados substantivos. Ninguém apresentou relatórios de eficácia do emprego das Forças Armadas em suporte das ações da polícia do Rio. O que temos assistido é a substituição do arroz com feijão, que não é a invenção da roda, o dia a dia do policiamento pela teatralidade operacional, que tem rendimento político, eleitoral e midiático (…) Não tem como mudar. Isso é ilusionismo. É preciso ser claro com a população. Tem alguém enganando alguém”, se posicionou, de forma enfática durante uma entrevista a um canal de TV por assinatura, a professora Jaqueline Muniz, do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF).

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