Interior do Estado consolida eleição de Wilson Witzel

Embora tenha perdido para Eduardo Paes (DEM) somente em Niterói, na capital fluminense e em Rio das Flores, na Região Serrana, no segundo turno, o governador eleito Wilson Witzel (PSC) consolidou – e em algumas cidades com muita folga – sua conquista no interior do Estado. Além de ter ligado seu nome ao agora presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), o cristão pode creditar a sua vitória às suas propostas voltadas ao fortalecimento do interior.

Em Niterói, Witzel teve 129.782 votos (49,01%), enquanto o seu adversário, 135.009 (50,99%). Na vizinha São Gonçalo, o futuro governador conquistou 274.054 votos (65%) e o candidato do DEM, 141.227 (34,01%). Em Itaboraí, Witzel teve 73.740 (69,85%) e Paes, 31.827 (30,15%). Em Maricá, o candidato do PSC venceu com 46.106 votos (66,64%) e o do DEM teve 23.078 (33,36%). Na capital, Witzel teve 1.520.888 e Paes, 1.627.367.

Segundo o programa apresentado por Witzel, o próximo governo terá como norte a descentralização e desconcentração administrativa. “Nossa gestão não medirá esforços para coordenar ações conjuntas entre diferentes prefeituras e entre prefeituras e o governo estadual na prestação de serviços públicos essenciais e na proteção ambiental sustentável, especialmente através de convênios e consórcios administrativos entre os entes para dinamizar parcerias público-privadas nas áreas de iluminação, controle ambiental, aterros sanitários, segurança entre outros”, disse um trecho do documento.

Entre as propostas para a saúde, por exemplo, estão construir novas sedes do Rio Imagem na Baixada Fluminense e no interior ou estabelecer parcerias com laboratórios privados. Para a infraestrutura e retomada da economia, a “finalização do projeto Comperj, com apoio estrutural e busca de parcerias; apoio para finalizar a construção da Usina Angra 3; complementação do Arco Metropolitano; apoio à Ferrovia Transoceânica, desembocando no Porto do Açu, em São João da Barra; cobrar do governo federal a construção da nova subida da serra (BR-040); apoio ao projeto de porto de águas profundas em Jaconé (Maricá e Saquarema); implantar um cinturão de terminais logísticos (portos secos) na Região Metropolitana no interior, para tratamento de cargas em geral; implantar o Arco Rodoviário do Norte Fluminense, para melhorar o tráfego da região; privatização da Rodovia Amaral Peixoto, garantindo concessão baseada no menor preço, facilitando o acesso da Região dos Lagos ao Aeroporto de Cabo Frio; despoluição do Rio Paraíba do Sul; investimento nas potencialidades locais, como o polo têxtil na Região Serrana, o petroquímico no Norte Fluminense e o metalúrgico no Sul Fluminense.

Primeiro dia

Wilson disse ontem que o compromisso de gerar empregos para o Estado é uma prioridade. Segundo ele, será preciso atrair empresas e investimentos, retomar obras e movimentar o Porto Maravilha.

“Nós precisamos gerar empregos, [essa é] a minha preocupação, meu pesadelo. A gente acha que é a segurança, que é, sim, prioridade, junto da saúde pública, mas isso vai naturalmente [melhorando] com uma gestão eficiente. Agora, gerar empregos não depende só de mim”, explicou.
Wilson Witzel também disse que instalará um quiosque do governo na Central do Brasil para ouvir as demandas do povo. “A Central do Brasil vai ser um grande ponto para ouvir a população. Nós não podemos ficar encastelados em palácio”, explicou.

O novo governador ressaltou que, antes de divulgar os nomes dos novos secretários, analisará o currículo de cada um. Ele também examinará postura e declarações já dadas a respeito do tema de cada pasta.

“Não olhamos qual é o passado político, olhamos currículo para não sermos surpreendidos por declarações que possam comprometer as nossas linhas de ação”, argumentou.

O único nome já definido até o momento é o de Sérgio Aureliano, que cuidará do Rio Previdência. “A minha preocupação foi primeiro ter alguém com muita experiência na área da previdência. Agora vamos em busca de alguém para a Secretaria de Fazenda e Planejamento”.

O governador eleito também pretende implementar um novo modelo de plano de recuperação fiscal para o Rio. Segundo ele, o assunto será definido com o presidente eleito Jair Bolsonaro.

Witzel reafirmou que aceitou a proposta do atual governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, de ocupar um andar do Palácio Guanabara para iniciar os trabalhos de transição de governo. “Ele me telefonou ontem colocando à disposição o Palácio Guanabara. A gente precisa de espaço para trabalhar. Foi uma campanha pobre, que tem dificuldade, [então] vamos ocupar o espaço”, disse o governador eleito.

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