Instituto Vital Brazil estuda soro contra o novo coronavírus

O Instituto Vital Brazil (IVB), referência em produção de soro contra raiva e picada de animais como cobra, aranhas e escorpiões, está na corrida para desenvolver um soro hiperimune para o tratamento da Covid-19. Os pesquisadores do centro de pesquisa estão tendo apoio também da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o experimento está sendo feito através do plasma do sangue de cavalos. Amanhã, os equinos do IVB vão começar a receber doses do vírus para a produção de anticorpos.

Segundo nota do IVB, a previsão é que em cerca de quatro meses o medicamento já esteja disponível para testes clínicos, que incluem humanos. O Instituto possui capacidade para produzir o quantitativo para 100 mil tratamentos por ano. Nos soros contra vírus, a matéria-prima não é extraída de algum animal, como é o caso de soros contra o veneno de peçonhentos. Para o estudo com o novo coronavírus, o Instituto contará com a parceria da UFRJ, que isolará e inativará o vírus, para que a inoculação no cavalo seja feita de forma segura para o animal.

“Já vimos em muitas pesquisas realizadas pelo mundo que o tratamento a partir do plasma de pessoas curadas da Covid-19 teve efeito positivo no tratamento de infectados em estado grave. A ideia é fazer um experimento agora a partir do plasma de cavalos, para que o tratamento possa ser produzido em grande escala”, explicou Adilson Stolet, presidente do IVB.

Além dos anticorpos em cavalos, outra frente da pesquisa também inclui as lhamas, mas esse processo será mais demorado. Segundo nota, concomitantemente ao estudo da criação do soro a partir do plasma animal, estão sendo realizados estudos em anticorpos e DNA de lhamas. O estudo com o DNA de lhamas é uma versão que deve demandar mais tempo para sair da bancada.

“A ideia é ter os dois estudos nas mãos e apostar mais fichas no que o processo começar a dar resultados mais rápido, devido à urgência da pandemia”, ressalta Stolet.

O vírus é colocado no cavalo, em pequenas quantidades, e o animal produz os anticorpos para neutralizar o veneno. O plasma sanguíneo vira a base para a imunização e as hemácias (glóbulos vermelhos) são devolvidas ao animal.

VACINAS

Mais de 100 laboratórios de todo o mundo estão na corrida pela descoberta de uma vacina para combater a pandemia do coronavírus, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas especialistas do Rio de Janeiro ressaltam a importância de manter a calma nesse momento, já que a produção de uma vacina é demorada e precisa de 100% de eficácia para garantir a tão sonhada imunidade.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) defendeu que, quando a vacina contra o novo coronavírus estiver pronta, todos os países devem ter acesso, independentemente de suas capacidades de pagamento. O brasileiro Jarbas Barbosa, diretor adjunto da organização, afirmou que a vacina poderá estar pronta para ser fabricada dentro de um ano.

“Neste momento, temos mais de 100 projetos de desenvolvimento de vacinas. Alguns já começaram testes em humanos, alguns já concluíram a primeira fase dos ensaios em humanos, que é a fase 1. Ou seja, pode-se ter como resultado dessa cooperação global uma vacina que talvez em um ano esteja disponível para ser fabricada”, explicou.

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