Instituto Pestalozzi em Niterói completa 72 anos

No dia em que o tradicional instituição de reabilitação, Pestalozzi, completa 72 anos, o presidente José Raymundo Martins Romeo, falou sobre como a fundação tem enfrentado a pandemia e seu planejamento para o futuro. O local atende moradores de diversos municípios do Estado. Desde 2015 no comando da Pestalozzi, ele assumiu o comando depois que a professora Lizair Guarino, faleceu vítima da Covid-19.

Pra José Raymundo, a Pestalozzi terá papel fundamental na reabilitação de pessoas que foram vítimas do coronavírus e se recuperaram.

“A cada dia sabemos de problemas com os recuperados da Covid que necessitam de fisioterapia e de cuidados especiais. Assim como no caso da zika, em que bebês nasceram com microcefalia e precisarão de reabilitação por toda a vida, a Covid-19 também deixará uma legião de pessoas que dependerão de nossos serviços. O poder público tem que estar atento para esse novo momento e nos dar estrutura de trabalho”, afirma ele que por duas vezes foi reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e que aos 80 anos abraçou o voluntariado através da Pestalozzi e acompanha o dia a dia da instituição por videoconferência, já que está em isolamento desde março.

Com os atendimentos suspensos desde março, o local foi autorizado em novembro a atender 50% dos pacientes do setor de reabilitação. A produção da Oficina de Órtese e Prótese também foi retomada. “Estamos atentos e vigilantes, seguindo todos os protocolos, como o uso de máscaras e equipamentos de proteção, fornecimento de álcool em gel e muita informação de como os usuários e os nossos profissionais devem se comportar nesse novo normal”, explicou.

A instituição atende cerca de 250 pacientes que procuram a sede, no bairro Badu. Segundo o presidente, municípios vizinhos como, Rio Bonito, Itaboraí e Região dos Lagos. São 350 equipamentos entregues por mês, entre cadeiras de rodas, palmilhas, pernas mecânicas, cadeiras de banho e órteses sob medida.

Apesar dos atendimentos médicos e a produção de equipamentos terem retornado, José garantiu que as aulas das crianças não tem autorização para voltarem. “Nosso Centro Experimental Helena Antipoff, que é a nossa escola especial, que eu prefiro chamar de escola especializada. Ela é dirigida para crianças e jovens com deficiência intelectual. Muitas com severas dificuldades e que encontram na Pestalozzi não só o apoio educacional mas, sobretudo, para a sua reabilitação. A nossa escola retornará assim que tivermos autorização e segurança para os nossos profissionais e alunos. É um momento muito difícil e delicado”.

Sobre os planos para 2021, ele sonha com uma impressora 3D para a Oficina e uma clínica ambulatorial popular. “Estamos trabalhando para que a Oficina de Órtese e Prótese tenha uma impressora 3D e queremos avançar no uso da tecnologia em prol da reabilitação e qualidade de vida da pessoa com deficiência. Pretendemos também retomar o projeto de ampliar o atendimento particular, através de uma clínica ambulatorial popular. Já reformamos o espaço e queremos focar mais nesse projeto a partir de 2021”.

Mesmo diante de toda a dificuldade, José Raymundo não perde o ânimo e acredita que logo tudo isso vai passar, assim como foi com o surto da Zika, em 2015.

“A Pestalozzi é uma instituição em constante evolução e já passou por vários períodos de dificuldade e bonança. Temos fé de que esse momento irá passar e brevemente estaremos retomando plenamente as nossas atividades. Enquanto isso é nos cuidarmos e cuidarmos de quem a gente quer bem. Avalio também que teremos muito trabalho pela frente. Em 2015 tivemos aquele surto de zika que causou o nascimento de muitos bebês com microcefalia. Passados cinco anos, pouco se fala sobre aquele surto. A Pestalozzi, por sua vez, atende diariamente crianças vítimas da doença. Creio que assim será com relação ao Covid-19. Muitas pessoas que contraíram o vírus precisarão de reabilitação e é necessário que o poder público dê estruturas para que possamos cumprir o papel de atender a todos eles”.

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