Instalação de energia solar cresce 600% em Niterói

Depois que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) incentivou o uso da modalidade chamada de geração distribuída, a procura pela instalação de sistemas de energia solar aumentou. Em Niterói, não foi diferente. A cidade se tornou a segunda com maior número de consumidores da energia renovável. A demanda pela instalação de painéis solares cresceu cerca de 644% entre o ano de 2020 e 2021, chegando a 2.725 clientes, entre pessoas físicas e jurídicas, apenas nos 10 primeiros meses de 2021. Em todo o ano de 2020, foram 423 clientes. A Enel, que é responsável pela aprovação do projeto, informou que há 656 planos de instalação sendo examinados pela equipe técnica, aguardando liberação para instalação.

Já em São Gonçalo são 1.279 consumidores da energia sustentável, colocando o município em 4º lugar com o maior número de clientes no estado do Rio. Campos dos Goytacazes está em 1º lugar, com 3.624 consumidores, Maricá está em terceiro lugar com 2.112 clientes.

Ainda assim, o investimento inicial para instalar esse tipo de sistema continua alto. Quem quiser ter a casa à base de energia solar deverá desembolsar em torno de R$ 12,5 mil, que é o valor da placa junto com a instalação. Esse custo é para uma conta de consumo médio de R$300/mês (cerca de 2,5 a 3KWP).

Vários fatores estão envolvidos no cálculo do custo de um desses sistemas, mas o principal deles é a quantidade de energia consumida. Quanto maior for a demanda, maior terá de ser a potência dos painéis solares instalados e, consequentemente, mais cara ficará a conta. Por isso, é possível, apenas, saber uma média de preço para a instalação.

Uma série de fatores precisam ser considerados na hora de fazer a compra. Quanto mais cara for a conta de luz do consumidor, mais vantajoso será instalar o sistema.

“O investimento inicial pode até ser maior, mas a economia de energia acaba retornando o investimento mais rápido. A partir de 2 anos e meio, se for pago à vista, e mais de 3 anos dependendo do tipo de financiamento. Sobre as formas de pagamento. O cliente pode pagar à vista ou pode financiar em até 72 vezes”, explica a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) que é uma entidade nacional, sem fins lucrativos, que reúne empresas do setor solar fotovoltaico (FV) com operações no Brasil.

O arquiteto Luiz Azevedo Pinheiro, de 58 anos, instalou 12 painéis em sua casa, no bairro Itaipu. Foram três semanas entre solicitar o projeto na Enel e a conclusão da instalação. Segundo ele, terá o retorno do seu investimento em até quatro anos.

“Eu gastava em torno de R$ 1 mil de energia por causa da iluminação do jardim, da piscina, são 8 aparelhos de ar-condicionado na casa toda. Eu desembolsei cerca de R$ 38 mil para instalar tudo. Mas em compensação, a minha conta de luz foi reduzida para R$ 120. O que eles me explicaram é que funciona da seguinte maneira: eu tenho uma capacidade de geração de 8 quilowatts. Se eu consumir dois, os outros seis vão para a Enel, que fica como se fosse um crédito para mim caso chova muito em um mês e eu gere pouco ou consuma mais do que gerei”, explica Luiz.

Mas como funciona o sistema de energia solar? Um sistema para geração de energia solar tem dois componentes principais: os painéis solares, que captam a radiação do Sol; e o inversor, responsável por converter a energia solar em elétrica. É o inversor que vai transformar a corrente produzida de contínua para alternada, possibilitando que a energia seja transmitida à rede e utilizada pela unidade consumidora. O inversor também tem a função de isolar o sistema fotovoltaico em caso de desligamento da rede, evitando, assim, que o sistema injete energia quando está ocorrendo algum tipo de manutenção.

Esses dois componentes são os mais caros do sistema, representando entre 70% e 80% de todo o custo dos equipamentos. Além deles, o consumidor também terá que ter estruturas de fixação dos painéis e os fios para conexão.

A durabilidade dessas placas é bem grande, chega a 25 anos. Mas a manutenção deve ser feita todo ano. O valor da manutenção não chega a 1% do valor total do investimento. Isso já incluindo limpeza e revisão do equipamento.

Como a eficiência do sistema depende de fatores externos, como a variação das chuvas e a quantidade de nuvens, os indicadores não devem apresentar a mesma quantidade de energia produzida em dias diferentes. Mas, com as informações, o consumidor pode verificar se a média de produção se mantém estável e planejar as ações de manutenção.

Camilla Galeano

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