INSS versus Prefeitura e um cidadão atirado às piranhas

Piranha não é um mau peixe. Muito menos a piranha que tenta sobreviver alugando sexo nas esquinas para seus clientes preferenciais, muitos deles moralistas, gente que se diz de família, ajoelha em milho na igreja, acusa, xinga, joga pedra na Geni, mas na hora da gatunagem eleitoral (vulgo piranhagem no mau sentido) é a primeira da fila.

É como gente que mete o pau em tourada, chama de covardia, desumanidade, batendo papo em churrascaria comendo picanha de boi.

O touro da tourada teve chance de se defender, em geral pesa quase 900 quilos, raça Miura, criado com a melhor alimentação, melhores veterinários, desde pequeno é treinado para acabar com o toureiro.

E quando vence, é solto no pasto pegando vacas o resto da vida. E quando morre, é herói. O boi da picanha da churrascaria passou a vida castrado, confinado, inchado de química e morre de forma indefensável, covarde.

É desse segundo boi que falamos.

O cidadão passa mais de 30 anos trabalhando feito um mouro e finalmente dá entrada em sua aposentadoria. Reúne papelada, várias carteiras de trabalho, certidões comprovando que foi honrado servidor da pátria, de várias empresas e da Prefeitura de Niterói.

Tudo certo, arrumado, em envelopes, pastas, tudo xerocado, não faltava nada. Por isso, fez questão de buscar os serviços de uma advogada especializada em previdência social – indicada por um amigo – que conferiu tudo, checou, verificou.

Ambos foram à agência do INSS e deram entrada na documentação, há mais de um ano. A funcionária olhou, checou, viu que estava tudo OK e deu entrada. Mas disse não poder informar o valor, sequer uma estimativa de quanto o cidadão poderá receber por mês. Quando o assunto é governo, cidadão só sabe o que sai, jamais o que entra ou vai entrar.

Começava aí o flagelo.

O cidadão fez o que foi recomendado. Ligava de 10 10 em 10 dias para o número 135 para saber notícias. Nada, nada, nada.

Meses depois, a moça do 135 informou: pedido negado porque o INSS não reconhece os anos trabalhados na Prefeitura de Niterói. “Por que, minha senhora?”

“Não há informações, bom dia”.

Representando o cidadão a advogada entrou com recurso administrativo. Meses depois também foi negado. Entrou na Justiça e aguarda a decisão do juiz que, segundo a advogada, “não tem prazo”.

Se a Prefeitura de Niterói tem problemas com o INSS, ou o INSS tem problemas com a Prefeitura de Niterói o cidadão não tem nada com isso. Não é boi de piranha e muito menos de churrascaria de ministro. Ao longo de anos a Prefeitura chupou parte de seu salário e disse ter repassado ao INSS. E isso está comprovado nas certidões entregues.

Então, finalmente…não há finalmente. Não há finalmente, nem explicação, nem resposta, nem consideração, não há nada. O que há é desprezo e, lógico, gosto de sangue na boca. Do cidadão.

É o caso de muitas vítimas do tal auxílio emergencial, que procuram esta coluna. Houve um derrame enorme de gente graduada metendo a mão nos R$ 600, funcionários públicos, militares e o escambau.

São as piranhas do mau, que em vez de rodar bolsinhas nas esquinas, preferem enterrar dinheiro alheio no bolso. Quem são as vítimas? Os cidadãos honestos, os que estão em conformidade com a Lei 13.982/2020, precisando do dinheiro e, talvez por isso, por serem corretos, o governo cape o auxílio deles.

O exemplo parece vir de cima, por sinal do ministro que comanda o auxílio emergencial. Todos lemos em toda a mídia, inclusive no jornal Valor Econômico:

O ministro da Cidadania do governo Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), reconheceu a prática de caixa dois nas eleições de 2012 e 2014 e pagou multa de R$ 189 mil em troca do arquivamento de investigação da qual era alvo.” (…)

Será que para sobreviver nesses trópicos tem que ser gatuno? Se der problema chora, confessa, paga, continua ministro e volta a gatunagem, de preferência com uma igreja poderosa dando cobertura.

O problema (para governo é problema, sim) é que muita gente insiste em levar uma vida reta, caso do cidadão que padece no INSS, que despreza a prefeitura de Niterói. A vida, como bala de prata de fuzil, quando levada com retidão não erra o alvo. Na pior das hipóteses, deve-se cantar “Boomerang Blues”, canção de Renato Russo: “Tudo o que você faz/Um dia volta pra você/E se você fizer o mal/Com o mal mais tarde você vai ter de viver”.

P.S. – Ao invés do lobo-guará porque não colocam uma piranha na nota de R$ 200? Seria mais realista, honesto e justo.

P.S.2 – Música brasileira que você não ouve nas rádios comuns. Clique e ouça: https://radiodevaneio.wixsite.com/radiodevaneio

P.S. 3 – Gosta de harpa? Clique aqui: http://bandnewsfmrio.com.br/colunistas-detalhes/luiz-antonio-mello/rio-harp-festival

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