Inquéritos de lavagem de dinheiro estão parados no Rio e em Niterói

Quase 200 inquéritos que apuram crimes de lavagem de dinheiro, com compras de carros de luxo, imóveis, joias, barcos, além de muito dinheiro em espécie, entre outros, obtidos de forma ilícita por criminosos, em especial por grupos milicianos espalhados por todo Estado, estão parados. Esses inquéritos instaurados são resultantes de várias e importantes investigações e operações deflagradas pela Polícia Civil no Rio e Niterói.

Entre elas está a megaoperação Salvator, deflagrada em julho desse ano pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), que coordenou a desarticulação de um perigoso “braço” da organização miliciana, comandada por Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, que atuava em Itaboraí. O grupo é alvo também de outras operações na Zona Oeste do Rio. Na ocasião foram cumpridos pelo menos 45 Mandados de Prisão e vários outros de Busca e Apreensão. Segundo a Polícia, o grupo movimentava ilicitamente recursos na ordem de R$ 500 mil, explorando moradores e comerciantes, e atuando em várias localidades. Na ocasião, além das prisões foram apreendidos carros, dinheiro, motocicletas e outros bens da organização, que pretendia faturar ainda mais alto com o início das atividades do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj. O grupo obtinha recursos com a cobrança das ‘taxas de segurança’ e fornecimento de sinais clandestinos de TV a cabo (popular gatonet) entre outros.

O Ministério Público estadual (MPRJ) havia autorizado a quebra de sigilo de dados e o bloqueio de contas bancárias dos denunciados. Uma advogada e seu marido, apontado como falso policial, foram presos num apartamento de alto padrão em Icaraí, Zona Sul de Niterói. A DH informou que a organização miliciana contava com a participação de mulheres, que atuavam nas funções de finanças e cobranças.

“Acreditamos que Orlando Curicica (que encontra-se preso) tenha implementado a milícia de Itaboraí para explorar a possibilidade de crescimento e desenvolvimento na região”, explicou durante a ação o delegado Gabriel Poiava, um dos coordenadores da operação. As obras do Comperj foram retomadas no ano passado. O promotor do Gaeco, Rômulo Santos Silva, confirmou que havia o crime de lavagem de dinheiro, com a obtenção de outros bens.

Coincidentemente, em julho, quando foi deflagrada a Operação Salvator, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu inquéritos, com base em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), sem autorização judicial. O bloqueio resultou na paralisação de um total de quase 200 inquéritos, incluindo ações da Lava Jato, no estado, todos relacionados aos crimes de lavagem de dinheiro.

O ministro Dias Toffoli interrompeu temporariamente os inquéritos com base em relatórios de inteligência financeira, sem autorização judicial, em todo território nacional. No fim do mês de agosto, o Coaf passou ao comando do Banco Central, e também passou a ser denominado Unidade de Inteligência Financeira (UIF). Até o inquérito das movimentações suspeitas de ilícito atribuídas à Ronnie Lessa, policial militar reformado acusado de envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco e o motorista, Anderson Gomes, passou a ficar parado, além do trabalho desenvolvido nos últimos meses contra grupos milicianos no Rio, Baixada Fluminense e Região Metropolitana. Também foram interrompidas as investigações, após pedido da defesa, do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro.

A delegada Patrícia Alemany, chefe do departamento da Polícia Civil que combate a lavagem de dinheiro, afirma que, para todas as investigações abertas após a decisão de Toffoli, a polícia está pedindo as autorizações judiciais para ter acesso às movimentações financeiras dos investigados A decisão vale enquanto não ocorre o julgamento definitivo no STF, previsto para novembro. Os inquéritos estão parados nos seguintes estados, além do Rio de Janeiro: São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, e Ceará.

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