Inquérito foi instaurado para investigar deslocamento da plataforma P70

A Marinha do Brasil (MB) e a Petrobras abriram inquérito para investigar as causas do desprendimento do navio-plataforma P-70 na noite da última quinta-feira (30) na Baía de Guanabara. A enorme plataforma, de 78 toneladas e quase 300 metros de comprimento, se deslocou do meio da Baía em direção ao calçadão da Boa Viagem, o que gerou pânico nas pessoas que presenciaram a cena inusitada. A estatal afirmou também que vai instaurar uma comissão de investigação para a apuração, mas a Capitania dos Portos do Rio de Janeiro (CPRJ) já garantiu que não há risco à segurança da navegação.

A plataforma chegou ao Porto do Rio de Janeiro no dia 24 de janeiro, vinda da China para o campo de Atapu, polo Pré-Sal da Bacia de Campos, no litoral de São Paulo. Antes de ser ancorada em Niterói a embarcação passou pela África do Sul, onde seis trabalhadores passaram mal por intoxicação e um acabou morrendo. A plataforma está fundeada em Niterói enquanto as autorizações para a viagem até São Paulo não forem expedidas.

Sobre o incidente em Niterói a Petrobras explicou que devido ao temporal que atingiu a Região Metropolitana houve o deslocamento da plataforma para próximo da costa, durante o processo de ancoragem da unidade. A plataforma estava sendo fundeada na Baía por rebocadores responsáveis por fixar a embarcação por meio de quatro linhas de ancoragem. Quando a última linha estava em processo de conexão, duas foram rompidas devido à força dos ventos e a plataforma foi movida para uma área mais próxima à praia da Boa Viagem.

De acordo com a meteorologista do Clima Tempo, Josélia Pegorim, entre às 20h40min e 21h da quinta-feira (30) foram registrados ventos que chegaram aos 67 quilômetros por hora. Para se ter ideia da potência do vento, em Saquarema foi registrado o maior índice de 79 Km/h. “Nuvens carregadas vindas de Minas Gerais e de São Paulo junto com as nuvens formadas no próprio Rio de Janeiro, por conta do calor, somadas com uma alta disponibilidade de umidade, potencializaram as fortes pancadas de chuva com rajadas de ventos”, explicou.


A estatal salientou ainda que a P-70 está estabilizada, não tiveram vítimas, não tiveram danos ao meio ambiente e nem mesmo na própria plataforma. O porteiro Eduardo José, 50 anos, disse que viu pela internet as imagens e os vídeos da plataforma e ficou horrorizado. “Eu não sei como as pessoas tiveram a coragem de ficar perto da plataforma filmando. Eu teria saído correndo. Hoje fiz questão de vir na Boa Viagem para ver de perto esse navio. Também não sabemos se teve algum dano ao meio ambiente com derramamento de combustível”, exemplificou.

“Eu não acredito em um possível derramamento de óleo pois o navio tem casco duplicado e a força de um impacto de vento, e não de força motora, não seria suficiente para romper os dois. O perigo maior foi a possibilidade de destruição do calçadão e também de tombamento”, contou o aposentado da Companhia de Navegação do Estado do Rio de Janeiro (Conerj) Waldecir Rabello.

A Marinha do Brasil (MB), por meio do Comando do 1° Distrito Naval, informou que a Capitania

dos Portos do Rio de Janeiro (CPRJ), mostrou que recebeu a informação do deslocamento em virtude das fortes rajadas de vento. Uma equipe de busca e salvamento (SAR) foi enviada imediatamente ao local, a fim de prestar apoio. Neste momento [tarde de sexta-feira] seis rebocadores encontram-se no local e não há risco à segurança da navegação.

SOBRE A P-70

A plataforma foi trazida pelo navio semissubmersível Boka Vanguard. A P-70 faz parte da série de

plataformas replicantes, que atualmente respondem por parte da produção no pré-sal, com a operação já iniciada nas unidades P-66, P-67, P-68 e P-69. Construída na China, a plataforma

tem capacidade para produzir 150 mil barris de óleo e seis milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

GUINDASTE

Motoristas que trafegavam na manhã da última sexta-feira (31) pela Ponte Rio-Niterói, levaram um grande susto, quando a lança do guindaste da Cábrea Guinmar II, que estava numa embarcação e que manobrava na Baía de Guanabara, teria se desprendido e atingiu a mureta de proteção da ponte. No momento do incidente vários motoristas que passavam pelo local se assustaram com o impacto, felizmente sem causar maiores danos ou vítimas.

A concessionária Ecoponte informou que realizou reparos no trecho avariado pelo choque do guindaste e parte do guarda-corpo da pista sentido Rio, na chegada à Ilha do Mocanguê, ficou avariado. A equipe de engenharia da concessionária descartou danos à estrutura da Ponte. No local, um outro trecho de guarda-corpo está sendo implantado pela Ecoponte, que segue com operadores de tráfego para orientar os motoristas.

Já a Marinha do Brasil (MB), por meio do Comando do 1° Distrito Naval (Com1DN), informou que a Capitania dos Portos do Rio de Janeiro (CPRJ) enviou, imediatamente, uma equipe de Inspeção Naval ao local, para iniciar as investigações. Não houve feridos e nem poluição hídrica. O guindaste, rebocado pela embarcação “Prudente”, foi deslocado e o proprietário notificado. As causas do incidente e responsabilidades serão apuradas em Inquérito, já instaurado pela Marinha.

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