Injúria racial por aplicativo de mensagem vira caso de polícia

Na semana em a Lei Áurea, que pôs fim à escravidão no Brasil, completou 133, anos uma família negra de Niterói se viu obrigada a recorrer à polícia para denunciar um caso de injúria racial ocorrido em um grupo de WhatsApp. De acordo com um pescador de 38 anos, morador de Jurujuba, em Niterói, uma pessoa desconhecida o ofendeu e ofendeu à sua filha, de apenas 4 anos de idade, a chamando de “macaca”.

O pai da menina conta que gosta de debater política e, com isso, passou a entrar em grupos para entender melhor o panorama e a conjuntura do Brasil. Assim, a convite de amigos, ingressou em um grupo de WhatsApp chamado “Esquerda X Direita”, no qual as pessoas debatem, cada um com sua opinião e visão, as questões políticas do momento.

Nos últimos dias, um dos membros do grupo, que não faz parte dos contatos pessoais dele, começou a atrapalhar o debate ofendendo, xingando e publicando fotos de mulheres nuas e pornografia.

“Esse cidadão aí, já tinha uns dois ou três dias que não deixava o debate rolar no grupo. Ele começou a botar pornografia, uma besteirada”, contou o pescador, dizendo que o advertiu que ali não era lugar adequado para este tipo de comportamento.

Ele conta que, depois disso, o agressor mandou uma mensagem particular em áudio para ele, que foi apagada antes que ele pudesse ouvir.

“Quando eu voltei no grupo ele tinha mandado isso daí [a mensagem ofensiva] lá no grupo. Ai eu tirei print e logo depois ele apagou”, contou.

As mensagens ofensivas diziam “vai dar ração pra tua macaquinha. Tinha que ser petista com essa negrinha fedorenta”, escreveu.

Após a agressão, o pai da menina conta que fez um registro de ocorrência pela internet, anexando as imagens da fala ofensiva e a foto do agressor, o número de telefone dele, mas o contato não tinha nome na descrição. Na próxima semana ele irá até a Delegacia de Crimes Virtuais para dar prosseguimento à denúncia.

“Não tenho partido, não sou filiado a lugar nenhum. A indignação é essa, porque o debate não existe mais. O cara que está por trás do telefone, no anonimato da internet, pega uma foto de perfil minha e chama ela de macaca. Para mim não me afeta, mas acho que isso não pode rolar. Eu sou um pardo, estou entre os negros. Eu tenho essa noção”, disse, afirmando que sempre ouviu piadas ao longo de sua vida, mas que ouvir isso direcionado a sua filha foi inadimissível.

Marcelo Almeida

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