Iniciativas reforçam a importância da vida no Dia Mundial de Combate ao Suicídio

Nesta sexta-feira (10) é celebrado em todo o planeta o Dia Mundial de Combate ao Suicídio. Mais do que comemorar a vida, a iniciativa reforça os cuidados que se deve ter com a saúde mental e emocional em uma data dentro do mês voltado em defesa da mesma causa, o Setembro Amarelo.

E é com o intuito de reforçar essa mensagem que o Hospital de Clínicas do Ingá, na Zona Sul de Niterói, resolveu criar a Árvore da Esperança. Trata-se de um mural localizado no pátio da unidade em frente à cafeteria. O objetivo da ação é encorajar as pessoas e lembrar da importância de cuidar da saúde mental diariamente. As mensagens ficarão visíveis para pacientes e familiares a fim de trazer otimismo e esperança, demonstrar carinho e estimas de melhoras.

Árvore da Esperança é iniciativa do Hospital das Clínicas do Ingá. Foto: Divulgação

Além da iniciativa do Hospital das Clínicas do Ingá, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Niterói, através da Fundação da Estatal de Saúde de Niterói (FeSaúde), está realizando uma campanha de promoção das medidas protetivas e de prevenção ao suicídio ao longo do mês de setembro (Setembro Amarelo). Além de encontros virtuais e híbridos com rodas de conversas sobre saúde mental, voltadas para crianças e adolescentes, mulheres, idosos e pessoas em situação de rua e com alta vulnerabilidade social, estão programadas para este mês oficinas temáticas nas Unidades das Redes de Atenção Psicossocial (RAPS) do município.

A FeSaúde também elaborou uma campanha de conscientização, para as redes sociais, sobre o Setembro Amarelo. As publicações terão mensagens que incentivam as pessoas a compartilharem seus sentimentos com os amigos, colegas de trabalho e familiares. A fundação, que passou a gerir as RAPS no início de agosto, acredita que o cuidado em rede pode contribuir com a saúde mental da população.

Psicóloga clínica parabeniza iniciativas

A psicóloga clínica Roberta Massot louva a iniciativa da direção da unidade. Ela explica que qualquer iniciativa do tipo é válida. Reforçando que o Setembro Amarelo existe desde 2015, a analista frisa sobre a importância de se falar sobre o assunto. A campanha desse ano tem o lema “Agir salva vidas” e a especialista explica que uma conversa pode salvar alguém.

“As vezes a pessoa pede socorro falando que está mal, que quer se matar e que não aguenta mais a vida. Só que muitas pessoas acham que é besteira ou que a pessoa só quer chamar atenção. Mas não. Escute e preste atenção no que aquela pessoa está dizendo. O suicídio é um dos maiores índices de mortes, não só no Brasil mas no mundo”, explicou.

Crescimento do suicídio entre jovens e adolescentes acende o alerta

E um estudo inédito divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz reforça a preocupação, principalmente entre os jovens. Levantamento realizado pela instituição entre 2011 e 2014 identificou 15.702 notificações de atendimento ao comportamento suicida entre adolescentes nos serviços de saúde. E a maior parte está na faixa etária entre 15 e19 anos. Os dados fazem parte da pesquisa “Violência autoprovocada na infância e na adolescência”, que ainda revelou a existência de 12.060 registros de internações decorrentes das tentativas em adolescentes entre 2007-2016,.

Além disso, no Brasil uma pessoa tira a própria vida a cada 45 minutos o que totaliza uma média de 32 pessoas por dia. Roberta pondera que vários motivos podem levar uma pessoa a cometer o suicídio. Um número superior a outras doenças, como a aids e muitos tipos de câncer, segundo dados do Ministério da Saúde. E é esse alerta que a psicóloga reforça, principalmente entre os adolescentes pelo fato de muitos serem vítimas de bullying.

Roberta Massot e psicóloga. Foto: Divulgação

“Muitas vezes a pessoal, principalmente o jovem ou adolescente, tira a própria vida por vergonha, por culpa e dor. Aquela pessoa quer acabar com o sofrimento. Ela nem quer acabar com a vida. E isso não acontece da noite para o dia. Isso vem de histórico familiar, talvez através de bullying que ela esteja passando, fim do relacionamento e até uma saída do trabalho. Precisamos ficar atentos aos sinais”, contou Massot.

O Setembro Amarelo é uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV) e, segundo o Ministério da Saúde, esse ano a pasta vai intensificar as ações de comunicação para a população, para os profissionais de saúde e também para os gestores locais. O contexto da pandemia de Covid-19 vem sendo apontado por diversos países e organizações científicas como um alerta para um aumento ainda maior nas ocorrências de suicídio e automutilação, devido ao agravo de riscos psicossociais, medo do contágio, ansiedade, isolamento social, luto e stress das tensões relativas à infecção. E é neste contexto que a ação da psicologia é fundamental para o combate ao suicídio.

“Qual forte a mente dessa pessoa está para que ela consiga enfrentar os problemas? Nós enquanto profissionais temos que olhar para essa pessoa com mais amor, com mais atenção”, finalizou a psicoterapeuta Roberta Massot.

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