Iniciativa desperta sonhos em crianças por meio do futebol

Projeto ‘Deixa que eu Chuto’ funciona na área de lazer do Morro do Cavalão

Proporcionar momentos de lazer e estimular sonhos de crianças que, na maioria das vezes, vivem em ambientes de extrema vulnerabilidade social. A missão é difícil, ainda mais sem recursos financeiros. Mas Cristiane da Silva, moradora da Comunidade do Cavalão, em Icaraí, Zona Sul de Niterói, “matou no peito” a responsabilidade e ajuda cerca de 50 jovens.

O projeto “Deixa que eu Chuto”, que é tema desta reportagem da série de A TRIBUNA sobre iniciativas que apoiam crianças, é coordenado por Cristiane, que é mais conhecida pelo apelido “Kirika”, juntamente ao seu filho, de 19 anos, que foi aluno dela. A iniciativa começou como parte de ouro projeto social que funciona na região, o “Pinguinho”, mas, desde 2017, tomou vida própria e funciona as segundas, quartas e sextas-feiras, de 18h às 20h, no campo soçaite da área de lazer da comunidade.

“A ideia surgiu quando eu via as crianças correndo para lá e para cá. Tinha a área de esportes e decidi colocar o jogo para eles, junto com outro projeto que tem lá, o Pinguinho. Atualmente, estamos lá às segundas, quartas e sextas-feiras. Se você não incentivar a criança, ela não vai saber o que fazer. Sou mãe de quatro filhos e tenho um, de 19 anos, que me ajuda no projeto”, explicou.

Por volta de 50 crianças participam da iniciativa. Cristiane explica que cerca de 30 possuem entre 10 e 12 anos, enquanto as 20 restantes tem entre 13 e 16. O projeto é aberto para meninas e meninos. A coordenadora pontua que o principal objetivo é fazer com que as crianças possam sonhar com um futuro melhor.

“Meninos e meninas têm que ocupar a mente com alguma coisa. As aulas são para que eles possam sonhar. Quando você não faz nada, você não sonha, mas quando se pratica o esporte, a criança tem mais chances de sonhar, ainda mais nessa idade. Já estamos há mais de 3 anos nessa caminhada. Começamos em 2017 e seguimos na luta”, prosseguiu.

Cristiane enumera os principais adversários do projeto. A preocupação maior é fazer com que as crianças não caiam nas tentações de se envolver em “caminhos errados”. A outra dificuldade foi manter as crianças empolgadas com o “Deixa que eu Chuto”, mesmo com as limitações provocadas pelo distanciamento social.

“No começo da pandemia foi difícil. Morando na favela, não temos muitas opções. As mães trabalham e não têm onde colocar as crianças. Acredito que ninguém conseguiu fazer isolamento total, porque não tem como, as casas são muito pequenas. Mas graças a Deus estamos aí, fortes, novamente”, frisou.

Por fim, ela revela que o projeto não recebe apoio público e sobrevive graças ao esforço dela, de seu filho e de amigos que acreditam na iniciativa. Aqueles que se interessarem em participar do projeto ou queiram ajudar de alguma forma, podem entrar em contato diretamente com Cristiane, por meio do telefone (21) 97692-2628.

“Não temos ajuda pública. A água que usamos é do bebedouro, que tem no campo. Não recebemos ajuda de custo. Já tivemos várias promessas. Quem realmente compra bola sou eu ou o Dinho. Agora, quero inscrever os meninos em campeonatos para eles competirem e terem mais chances de vencer”, concluiu.

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