Inflação: Preço do café dispara nas prateleiras

O Instituto de pesquisa Euromonitor International apontou que o mercado brasileiro representa uma participação de cerca de 14% no consumo mundial de café. A pandemia fez diminuir o consumo do produto em estabelecimentos comerciais e aumentar dentro das residências. Mas o hábito de beber o tão querido “cafezinho” pode ser impactado pelo valor que ele está sendo vendido. A inflação corrobora com essa alta, que faz com que o pacote de 500 gramas chegue a custar mais de R$ 17,50 nos supermercados de Niterói.

“O café nunca foi um item muito barato no mercado, mas o que estão cobrando é um absurdo. Eu não sei o que fazer para economizar e manter o meu café. E eu estou acostumada a tomar uma marca específica. Acho difícil adaptar. Eu faço café de manhã e à tarde e está muito custoso”, contou a aposentada Vera Lúcia Farias, 63 anos.

O especialista em bebidas Rodrigo Mattos, do Euromonitor, explica que o tradicional café torrado e moído teve seu espaço na cesta básica preservado em muitos lares, enquanto o consumo de grãos diferenciados sofreu um forte impacto em 2020 e 2021.

“Isso prejudica um pouco o mercado de café, que estava se movimentando na onda de cafés especiais e de melhor qualidade”, contou.

Sobre a queda do consumo durante a pandemia a diretora executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais, Vanusia Nogueira, também comentou.

“Estávamos todos a mil por hora no início do ano passado, conversando no mundo todo a respeito de um mercado de cafés especiais que estava definitivamente decolando. De repente, para tudo. Os grandes pontos de convivência para saborear o café especial, que eram as cafeterias, os hotéis, os restaurantes, tudo isso fechado”, contou.

Alta

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou para 1,25% em outubro, o maior índice para o mês desde 2002, quando o IPCA foi de 1,31%. Com o resultado de outubro, o indicador acumula alta de 8,24% no ano e de 10,67% nos últimos 12 meses. A alta da inflação foi puxada pelo preço dos transportes (2,62%), com destaque para os combustíveis (3,21%), e pelo grupo dos alimentos e bebidas (1,17%).

O economista e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), Gilberto Braga, explica que a inflação já é cruel e tem na alimentação um dos seus principais alvos.

“Um dos itens indispensável nos hábitos dos brasileiros, o café, sofreu disparada nos preços acima da inflação. Isso foi provocado pela expectativa de uma quebra de safra no Brasil, devido ao calor e à estiagem dos últimos meses. Isso não estava no radar e pegou até o próprio setor de surpresa. Na havia grandes estoques é isso vem pressionando o preço do produto que subiu entre 35% e 40% neste segundo semestre de 2021”, detalhou.

O especialista dá a dica de como economizar. “Apesar do chá ser um substituto natural e poder ser uma troca natural, o brasileiro que gosta de café não troca a bebida. Na prática, quem bebe café fica exposto a ter que desembolsar mais dinheiro. O máximo que dá para fazer é tentar tomar menos xícaras e esticar a duração do pó”, explicou.

Raquel Morais

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